VISTO DE ITÁLIA - A opinião de Cláudia Garcia
O que vai ser da Serie A depois do coronavírus? Em Itália, a partir do dia 13 de junho, vamos ter 127 jogos em 50 dias. A época tem de terminar até 2 de agosto para depois abrir alas à Liga dos Campeões e ainda faltam 11 jornadas para completar o campeonato.
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O que significa, pelo menos, cinco deslocações internas para cada equipa, mais os dois jogos da Taça de Itália (meias-finais e final) que serão disputados nos dias 13 e 17 de junho respetivamente. Além disso, alguns clubes ainda têm de recuperar a 25.ª jornada que foi parcialmente adiada (só no norte de Itália) por causa do coronavírus. Se fizermos contas muitos simples, são sete os fins de semana disponíveis para os jogos do campeonato que arrancam no dia 20 de junho, o que significa que vamos ter jogos a meio da semana em quatro ocasiões. Num espaço de tempo de 50 dias, os jogadores vão ser obrigados a subir ao relvado, em média, a cada quatro dias. Não podemos esquecer que estes jogadores estão fechados em casa desde o dia 7 de março e que os treinos coletivos só arrancaram esta semana.
Em 50 dias, os jogadores, em Itália, vão jogar a cada quatro dias, em média. E estiveram em casa desde 7 de março...
O fator calor também pesa, e não é um detalhe secundário. Em Itália as temperaturas chegam, não raras vezes, aos 38, 40 graus durante os meses de julho e agosto. Jogar nestas condições a cada quatro dias, com viagens à mistura, vai ser um desafio enorme, mesmo com a hipótese das cinco substituições, com os famosos time-out e os jogos à noite.
Por todos estes motivos, não estou à espera de assistir a grandes espetáculos de futebol. Pelo contrário, o nível de jogo das grandes equipas vai provavelmente cair e permitir às equipas mais modestas equilibrarem as contas. Já temos esse exemplo dos torneios de verão entre seleções, como o Mundial e o Europeu, em que o nível de jogo é normalmente inferior ao que vemos durante a época na Liga dos Campeões. Os jogadores estão cansados e as condições nem sempre são as melhores. Lembro-me, por exemplo, do mundial 1994 nos Estados-Unidos, onde o calor condicionou o nível do espetáculo. No Europeu, já tivemos várias surpresas como em 1992 com a vitória da Dinamarca, em 2004 com a Grécia, e em parte com Portugal em 2016 também. Nem sempre as melhores equipas ou as que jogam o melhor futebol vencem estes torneios mais curtos. Numa época de 10 meses é mais difícil que este tipo de surpresas aconteçam, mas num torneio de 127 jogos num mês e meio como vamos ter em Itália, podemos mesmo esperar muitas surpresas.
