VISTO DE ITÁLIA - Opinião de Cláudia Garcia
Quando não se têm ideias, mais vale copiar as dos outros. A velha máxima vale também para o futebol pós-covid-19 em Itália. A Alemanha autorizou e os outros vão atrás. É exatamente isso que está a acontecer em Itália, onde passaram semanas a discutir um protocolo para ressuscitar o futebol depois do desastre sanitário, mas não chegaram a nenhuma conclusão.
O governo italiano, que até há pouco tempo não deixava fazer nada, mudou de ideias e agora já deixa fazer tudo
Resumindo: ninguém queria assumir a responsabilidade. Só que desde que começou a Bundesliga, tudo parece mais fácil e as partes curiosamente tornaram-se menos intransigentes. O governo italiano que até há bem pouco tempo não deixava fazer nada, mudou logo de ideias e agora já deixa fazer tudo.
O protocolo inicial italiano queria impor uma quarentena para toda a equipa no caso de um jogador infetado, o que não vai acontecer e seria impossível. Também queriam obrigar a equipa a um estágio forçado de quinze dias antes do início do campeonato e durante o torneio, mas isso também foi cancelado. Mas não é só.
A Federação italiana também voltou atrás e ressuscitou a ideia do playoff e playout para acabar o campeonato, caso não seja possível concluir todas as 11 jornadas que faltam ou se houver uma nova interrupção por coronavírus. A ideia que foi contestada durante semanas voltou a estar na moda.
Em dias de jogos, o protocolo que vai ser aprovado no dia 28 de maio é idêntico ao alemão: os jogadores vão estar divididos no aquecimento, controles para todos, uso de máscaras obrigatório até à hora de jogo, nada de cuspidelas para o relvado e nada de protestos com o árbitro. A distância mínima que o jogador ou treinador devem manter do árbitro de jogo e dos seus assistentes é de um metro e meio.
Pelo menos, vamos ter um futebol mais educado e mais limpo. É tudo muito simples, basta querer, mas era preciso os alemães terem tido a coragem para avançar primeiro.
