O aluno discreto tem pela frente um desafio alucinante, enquanto o mestre exuberante precisa de ser aceite
Paulo Fonseca chegou a Roma apontado como grande contratação. O presidente do emblema da loba elogiou-lhe o futebol corajoso e ofensivo, assim como a experiência internacional, após a passagem vitoriosa pelo Shakhtar Donetsk, onde colecionou sete troféus em três épocas. Especificando, foi tricampeão e juntou-lhe taças. Ainda assim, chegou à capital do país que tem a forma de uma bota e fez um discurso tranquilo. Em vez de promessas fez um auto de fé que passa por "criar algo especial".
Jorge Jesus, que em seis anos de Benfica ganhou os mesmos três campeonatos, somando ao currículo 11 taças no total da carreira, chegou ao Brasil e fez da conferência de Imprensa de apresentação um espetáculo. Até de tradutor dele próprio fez, sem esquecer de dizer que os europeus têm a mania que sabem tudo. Ele que sabe tudo e é europeu...
Festivais mediáticos à parte, os opostos Jorge Jesus e Paulo Fonseca têm muito mais coisas que os unem do que o modo de estar que os separa
Festivais mediáticos à parte, os opostos Jorge Jesus e Paulo Fonseca têm muito mais coisas que os unem do que o modo de estar que os separa. Fonseca é um seguidor de JJ que foi capaz de seguir uma linha própria. Vencida com humildade a fase de espanto e inexperiência que o atacou no FC Porto, foi capaz de voltar ao ponto de partida, Paços de Ferreira, e encetar novo caminho. O futebol italiano é terrível, demasiado tático e cínico, mas é também um desafio do outro mundo. Jesus sabe tudo sobre o treino e sobre tática, demorou bastante até deixar de se condicionar pelo jogo dos adversários, mas sabe o que faz como poucos. No Brasil, precisará de ter cuidado porque, inevitavelmente, será recebido com desconfiança o que é sempre uma dificuldade para quem tanto necessita de que gostem dele. Se ultrapassar essa fase, pode fazer figura. E promessas faz.
