Tormento claro: se há poucos avançados bons, Fernando Santos tem de acertar em cheio na escolha para o Europeu
Arrumados os ensaios até à definição da convocatória portuguesa para a fase final do Euro"2016, o selecionador ainda tem folga temporal para matar dúvidas e fortalecer convicções. Pelo que foi dado a observar na preparação, e tomando como barómetro de raciocínio o modelo de jogo, com unidades móveis no ataque - ou seja, sem referência declarada no eixo -, caminho estabelecido como sentido único para atacar o triunfo na prova, Fernando Santos sujeita-se à condenação que era imaginável: cruzar os dedos médio e indicador até maio, fazendo figas para que nem Cristiano Ronaldo nem Nani, os seus finalizadores, se lesionem. É o que de melhor há, e isso, ontem, foi especialmente notório quando ambos cederam os lugares no palco. Num ápice, a Seleção passou imagem de desconforto e viu a Bélgica reentrar na discussão. Na entrevista rápida à RTP, Santos tocou num vetor essencial, a qualidade, que ajuda a descodificar o tremor, e, adiante, admitiu que não seria capaz de uma resposta pronta se naquele instante lhe fosse solicitada a lista para França. Percebe-se a reação, mesmo vindo ela de quem não tem medo das palavras nem de fasquias altas. A dificuldade não será escolher o lote de guarda-redes, e nem a abundância na defesa ou (sobretudo) no meio-campo pode ser elevada a problema, como se insiste. O tormento que paira, qual nuvem, é a necessidade imperativa de acerto total no ataque. Se há poucos bons, a margem de erro roça o zero. Nem que Santos tenha de "inventar" um avançado a partir de um central...
