Analisar o trabalho de um selecionador de topo como se fosse um treinador de futebol de um emblema de topo é um erro comum.
Se portugueses formos, entre residentes e emigrantes de primeira e segunda geração, uns 12 ou 13 milhões (ou mais ou menos, pouco importa) a puxar pela Seleção, praticamente todos se sentem obrigados a procurar um culpado para a quebra de expectativas, motivadas ora pela soberba de alguns (sempre muitos) comentadores, ora pela qualidade inequívoca dos selecionados.
13893837
Portanto, se os tais comentadores hoje dizem uma coisa e amanhã outra e quase nunca é possível apanhá-los por dizerem algo de real ou factual - é tudo sempre mais especulação e vontadinha do que outra coisa -, já a qualidade dos jogadores é mais do que motivo para sentirmos que caímos de forma prematura. Mas - sublinho -, prematura face ao que esperávamos. Tínhamos um "melhor do Mundo" quase todos os últimos anos, vários dos melhores nos melhores emblemas da Europa, que é só o melhor futebol do mundo, as melhores condições do mundo para todos estes melhores de todos os mundos possíveis, imaginários e mais além do que tudo isso... Antes de começar, parece que não há limites. E depois, há os adversários que têm quase tudo o que temos, e não só, sendo que a bola é redonda e nunca mais - felizmente! - as pessoas voltarão a repetir, de forma nauseabunda, o chavão "é 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha". Sim, também ficou pelo caminho.
Quero que Fernando Santos permaneça na Seleção (...). Não conheço melhor gestor do bom senso que o próprio.
Vamos ao que importa. Quero que Fernando Santos permaneça na Seleção. Muito sinteticamente: é treinador de topo desde o Penta; um selecionador de topo não tem - nem nunca terá - as mesmas condições que um treinador de topo num clube e, por fim, não conheço melhor gestor do bom senso do que o próprio.
Farto-me das tretas que o relacionam com a falta de ambição. Pois bem, se não bastar o que disse no parágrafo anterior - aceito opinião contrária apenas de quem sofre com os pés na relva, dentro ou fora do retângulo -, deixo a minha noção de ambição: é o contrário de ambição desmedida. Porque é exatamente essa falta de medida que obriga a dar volume à treta de bater no peito - ou pedir parangonas de jornal - a exclamar-se ambicioso. Ambição desmedida não é ambição. É treta.
