Se acredita no treinador que escolheu, o líder do Benfica tem de engrossar a voz
Pego numa frase debitada, esta semana, por Rui Costa para, antes da visita do Benfica ao reduto do Braga, lhe dar um tom interrogativo: em Rui Vitória ninguém toca? O administrador já fez a sua parte em público, constituindo uma espécie de escudo humano do treinador, o mais visado pelo expectável bombardeamento de críticas dos adeptos após a terceira derrota com o Sporting de Jorge Jesus. Mas quem contratou Vitória foi o presidente. É a Luís Filipe Vieira que compete levantar e engrossar a voz, se acredita efetivamente em quem quis ao comando da equipa, e promover então a defesa intransigente do técnico, com o qual, aliás, até está em dívida: prometeu-lhe dar armas tão qualificadas como as que disponibilizara ao antecessor no banco das águias, mas a realidade tem sido menos garrida. E o "endividamento" será maior se nos lembrarmos que, até dezembro, Vitória já "ganhou" praticamente três miúdos da formação para o melhor onze: Semedo, Guedes e Sanches. É certo que o contexto e os intervenientes são outros, mas de fora para dentro vai-se pedindo a pele do treinador, tal como sucedeu em maio de 2013 (embora com menos histeria), quando Vieira, contra tudo e contra todos, mostrou que quem governa é ele e segurou Jesus por mais duas épocas, no fim das quais saboreou o bicampeonato que não era festejado há 30 anos. A pré-temporada foi um fiasco, mas, passados quatro meses, Vitória já devia ter colocado a equipa num patamar exibicional acima do que se tem visto. Se a qualidade de jogo falha, mas os resultados aparecem, como (não sejamos hipócritas) aconteceu múltiplas vezes com Jesus de águia colada ao peito, os adeptos vão fechando os olhos e domesticando a tolerância. E se o Benfica perder ou não passar em Braga? Ficará tudo em causa?
