Produtiva no ranking UEFA, apesar dos percalços, porque Portugal num dia ultrapassou a Rússia e no seguinte fugiu-lhe mais três pontos, a jornada europeia conduziu a uma conclusão preocupante a que Sérgio Conceição também chegou na parte que lhe toca: por diferentes motivos os grandes em Portugal não têm prazer, não jogam à bola.
Valha-nos a alegria do Super-Braga europeu e lamenta-se a crueldade da derrota do Vitória no terreno do Arsenal
Uns estão amarrados nas táticas, outros nas dúvidas existenciais e os restantes nos conflitos internos. Valha-nos a alegria do Super-Braga europeu e lamenta-se a crueldade da derrota do Vitória no terreno do Arsenal, depois de uma exibição soberba.
Do FC Porto era de esperar bastante mais. É melhor do que o Rangers em todas as vertentes de análise, mas está tolhido nos movimentos, transmite a ideia de viver numa exagerada preocupação estratégica, não se solta no campo. Sabe demasiado bem o que tem de fazer para o conseguir e ao tentar e tentar, compromete a arte. Preocupa-se com o futebol mas falta-lhe fantasia, não joga à bola.
A situação do Sporting é diferente, a bola pica na biqueira das botas, prazer não é termo do vocabulário conhecido e cada jogo é um castigo. Torná-lo menos penoso é, por ora, a única via para sobreviver. Há jogadores cujo rendimento dá dó, mas ganhar é o remédio e ontem aconteceu.
Estranha é também a forma de atuar do Benfica. Está a passar por uma má fase em termos psicológicos e funcionais. A equipa vive num mar de dúvidas. A simples substituição de Rafa foi perturbadora para os restantes, como se fosse o único a conhecer o caminho das pedras de um rio longo de mais para atravessar. O bloqueio mental é de tal ordem que há momentos, viu-se com o Lyon e nos jogos anteriores, em que este Benfica não mostra qualidade para andar na Champions. Pode ser que o triunfo tenha sido libertador.
