ECOS SEM VÍRUS - A opinião de Manuel Queiroz.
Eurosport quer rescindir
A retoma do futebol na Alemanha mostra o que se temia - o novo normal não é o antigo. O jogo da Bundesliga de segunda (Bremen-Leverkusen) ainda foi transmitido pela Dazn e também pela primeira vez pela Amazon Prime (que já tem direitos da Premier League).
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Mas isso só ficou decidido a horas do jogo, porque a Eurosport, detentora dos direitos dos jogos de sexta, sábado à noite, domingo ao almoço e segundas, que passou à Dazn já na época passada, quer terminar o contrato de 70 milhões de euros anuais com a Liga alemã. O dérbi de Berlim Hertha-Union, amanhã, outro "slot" da Eurosport/Dazn, não tem transmissão assegurada. De resto, a experiência da Amazon não correu bem, com o comentador a trabalhar no jardim de casa, som deficiente e dessincronização imagens-comentário. A Liga negoceia uma TV para os jogos que eram da Eurosport/Dazn mas ontem não havia fumo branco.
Futebol ainda é negócio
Boas notícias deu ontem o Everton, tendo em conta o clima económico que se vive: o clube inglês fechou um acordo com a dinamarquesa Hummel de fornecimento de material desportivo de cerca de 30 milhões de euros por três anos, o dobro do que a Umbro pagava até agora (4,5 milhões/ano) num acordo que vinha de 2014. É uma notícia importante porque mostra que o mercado não pára e o futebol continua a ter negócio. Como parceiro técnico do Everton, a Hummel, que há vários anos não tinha qualquer equipa da Premier League no seu portfolio, produzirá o equipamento para a equipa principal, as equipas femininas e toda a formação.
Everton deu notícia importante porque mostra que o mercado não pára e o futebol continua a ter negócio
Facebook desregulado
"Hi, I am Christiane Amanpour and I"m working from home", assim começava ontem o programa de uma das jornalistas vedetas da CNN. A sua principal convidada interessa-nos a todos: Helle-Thorning Schmidt, ex-primeiro-ministro da Dinamarca e agora co-presidente do novo Conselho de Supervisão do Facebook, um órgão com um nome bonito para dar um ar apresentável ao FB e ao Whatsapp e que tem sido muito atacado por quem conhece o poder enorme da rede social. E a verdade é que Helle não teve resposta para nada - ainda não houve reunião nenhuma do conselho, não vai de facto ter capacidade para influir no algoritmo nem nos grupos em que há tanto assédio, não vai ter tempo para influir durante as próximas presidenciais americanas. Ou seja, Zuckerberg paga bem a quem o serve, mas a nós não nos serve. Quando haverá regulação sobre o Facebook?
A frase do dia
"Não devemos ter como objetivo algo como "onde estávamos, ali queremos voltar" - seria um erro enorme. Quando acontecem crises assim é melhor repensar certos sistemas desportivos e reformá-los" - Giovanni Malagó, presidente do CONI (Comité Olímpico italiano) ao Corriere della Sera
