RUGIDOS DE LEÃO - A opinião de Samuel Almeida.
A equipa de comunicação do Sporting produziu esta semana um vídeo muito feliz, com um grito bem alto e do fundo da alma, a clamar ao Mundo que somos Sporting. Eu e muitos milhões revemo-nos nesse grito singelo. Eu e muitos outros somos todos Sporting.
Eu sou Sporting, de António Oliveira, Jordão, Manuel Fernandes, Balakov, Figo, Cristiano Ronaldo, Pedro Barbosa, Liedson, Jardel, Bruno Fernandes e tantos outros que vi pisarem e brilharem nos relvados do José Alvalade e que conquistaram 50 títulos oficiais para o clube leonino. Eu sou Sporting, de Carlos Lopes, Fernando Mamede, Joaquim Agostinho, os irmãos Castro, Naide Gomes ou Rui Silva e tantos outros que ajudaram na conquista de nove medalhas olímpicas, vários títulos mundiais e europeus e que fazem do Sporting o clube com maior representação olímpica.
Chega desta falta de imparcialidade que cobre o desporto em Portugal de um manto de bafio e suspeição
Eu sou Sporting, pelos 35 títulos europeus em 6 modalidades coletivas - futebol, hóquei, andebol, futsal, atletismo e judo - que fazem do clube o 3º mais titulado a nível europeu e o clube mais eclético do mundo, com 6 modalidades a atingirem o sucesso a nível continental. Nenhum clube do Mundo conseguiu este feito, sendo que o Sporting tem mais títulos europeus que os seus dois rivais juntos. Eu sou Sporting pela cultura desportiva deste enorme clube que é um baluarte do desporto nacional com milhões de adeptos espalhados pelos 4 cantos do Mundo, e que exige respeito e o mesmo tratamento institucional que os seus rivais. Chega desta subserviência e falta de imparcialidade que cobre o desporto em Portugal de um manto de bafio e suspeição. Chegou a altura de dizer chega. Chegou a altura de levantarmos a voz e nos fazermos ouvir. Trago aqui à colação dois episódios recentes sobre nossos rivais.
Em primeiro lugar, o FC Porto, o qual atravessando dificuldades financeiras que são públicas, decidiu atrasar o reembolso de uma emissão obrigacionista por um ano. Até aqui tudo bem. O problema é que o Sporting, após a sua maior crise institucional e desportiva da sua longa história - com vários jogadores a rescindirem unilateralmente os seus contratos - viu-se obrigado a atrasar em 2018 o reembolso de uma mesma emissão obrigacionista e não faltaram programas, debates, análises sobre a situação de pré-falência do clube de Alvalade. No Dragão, em situação em nada comparável - pois quem tem saído a custo zero tem-no feito por incapacidade de gestão e renovação atempada dos vínculos contratuais - o tema não tem o mesmo tratamento jornalístico. A pergunta que cabe fazer é onde se meteram os analistas? Não há debate?
Em segundo lugar, o nosso rival lisboeta, o qual foi esta semana objeto de um ataque grosseiro e violento à sua equipa de futebol, como o apedrejamento do autocarro à chegada ao Seixal após mais um empate. Aliás, o clube da Luz venceu um dos últimos nove jogos oficiais, sem que se vislumbre grande debate público sobre tão pobre pecúlio de um clube que investiu mais de 100 milhões de euros na sua equipa de futebol. Mas o que merece ser questionado, é o silêncio do poder político e o tratamento diferenciado da comunicação social sobre este ato de violência. Dois jogadores do Benfica foram ao hospital e parece estar tudo bem. As casas são vandalizadas. Onde está a condenação violenta destes atos por parte dos órgãos de soberania? Onde está o Secretário de Estado do Desporto? Onde estão os debates sobre este tema na televisão? Temos dois tipos de violência? Ninguém tem dúvidas que Alcochete foi um episódio distinto, mas este foi um ato gravíssimo de violência, a que se segue outro bem recente, em que um adepto do Sporting foi barbaramente atacado por membros desta mesma claque ilegal do nosso rival. Sim, trata-se de uma claque, de um problema de segurança pública, o que levou, aliás, o IPDJ a aplicar castigos de 7 jogos à porta fechada. Talvez o clube da Luz os venha a cumprir durante este período de confinamento.
Há de facto diferenças entreAlcochete e Seixal, mas a maior é o aproveitamento e tratamento jornalístico que foi feito de dois episódios gravíssimos de violência. Houve terror em Alcochete, há um silêncio envergonhado no Seixal. É este manto sagrado que nos abafa, sufoca e não nos deixa respirar. Por este e muitos outros motivos, é impensável qualquer forma de aliança com nossos rivais. Por este e muitos outros motivos importa a todo o mundo leonino afirmar bem alto: EU SOU SPORTING.
