O cronista António Barroso escreve sobre a conquista da Taça da Liga pelo Sporting, ao bater o FC Porto na final disputada em Braga, que teve que ser desempatada (1-1 no fim do tempo regulamentar) através de pontapés da marca de grande penalidade.
Há um claro sintoma de regeneração do Sporting na revalidação do título de Campeão de Inverno, conquista que, para o efeito, é muito mais anímica para os leões por comparação com o quão desoladora será, ou não, para o FC Porto.
Keizer conseguiu um título que Jorge Jesus, com o mesmo Sporting, demorou duas épocas e meia a conseguir.
À parte a "maldição" que nem Sérgio Conceição conseguiu quebrar - e já lá vão uns três anos desde que a Taça da Liga entrou nos objetivos dos azuis e brancos -, este título chega pouco tempo depois de um arranque de época marcado pelo trauma da invasão de Alcochete, das rescisões e resgates de grande parte do plantel, da troca de treinador (José Peseiro por Marcel Keizer) já com o campeonato em curso, e, por tudo isso, de uma preparação de temporada, no mínimo, atípica.
Apesar dos oito pontos de desvantagem para os dragões, que lideram o campeonato, a verdade é que Keizer é o único que que já travou, por duas vezes, os ímpetos à estratégia de demolição que Conceição vem desenhando para os seus adversários. Contou para isso, ao contrário do que aconteceu no empate a zero para o campeonato, com um pouco mais de sorte - a dos penáltis - do que de ciência (um desleixo de Óliver na sua grande área). Porém, os portistas também não traduziram em contabilidade suficiente o melhor futebol demonstrado na segunda parte.
Pouco mais de três meses após a sua chegada a Alvalade, Keizer conseguiu um título que Jorge Jesus, com o mesmo Sporting, demorou duas épocas e meia a conseguir. E foi quase o único de Jesus em três temporadas completas, além da Supertaça de 2015/16.
Esta conquista do Sporting na final disputada em Braga é, também, um bom augúrio para o emblema liderado por Frederico Varandas, nomeadamente no processo de pacificação das hostes leoninas, assim como para a estratégia de recuperação da credibilidade do clube e da sociedade desportiva.
É, por isso, maior o ganho dos leões do que a perda do FC Porto. Para os azuis e brancos, este era apenas um dos objetivos da época, menos importante que o campeonato, menos importante que o acesso Liga dos Campeões no final da época, menos importante que um percurso tipicamente "o mais longe possível" na mesma competição e até um pouco menos importante do que a conquista da Taça de Portugal. Tudo frentes da equipa de Conceição.
A vitória sobre o Benfica, na terça-feira, num jogo empatado em lances polémicos mas marcado pela superioridade portista no que realmente interessa, os golos, foi insuficiente para um treinador que viu a exibição da equipa na segunda parte do jogo de hoje "traída" nos últimos instantes do tempo regulamentar, quando já todos pensavam que o FC Porto iria levantar o troféu que lhe falta no museu.
Sem menosprezar o esforço leonino, é um facto que os portistas demoraram mais de 35 minutos a fazer o primeiro remate à baliza, ainda na primeira parte, e desaproveitaram a grande parte do segundo tempo em que encostaram o Sporting às cordas. Isso sim, deve deixar Sérgio Conceição a pensar. Sobretudo na capacidade de fogo da equipa para esta segunda parte da época.
