RUGIDOS DO LEÃO - A opinião de Samuel Almeida.
A semana passada abordei o tema da alteração estatutária promovida por estes órgãos sociais, matéria a que gostaria de voltar neste meu artigo. Começo por referir que mandariam as regras de transparência que tendo sido criado um grupo de trabalho tivesse sido anunciada publicamente a sua composição. Chama-se transparência.
12414866
Por outro lado, defende-se que a introdução do voto eletrónico constitui a verdadeira forma de aproximar o clube dos seus associados. Não deixa de ser, em parte, verdade esta afirmação, mas custa-me entender esta iniciativa desligada, desde logo, de uma reforma profunda dos estatutos. E custa-me, ainda mais, entender a mesma sem a introdução de uma maioria absoluta de votos para a eleição dos órgãos sociais. E se queremos ser coerentes, então teremos de revisitar o tema das ponderações de voto em função da antiguidade de associado. Nesta matéria sou contra a introdução de 1 sócio 1 voto, mas defendo a reformulação do atual sistema, atribuindo apenas 1 voto adicional por cada 10 anos de antiguidade até um máximo de 5 votos por associado. Sinto-me à vontade neste tema, pois sendo sócio há mais de 35 anos tenho hoje direito a 7 votos. E se estamos verdadeiramente interessados na participação plural da generalidade dos sócios na vida do clube, não se compreende a crítica e ostracização a iniciativas de discussão e debate independentes sobre temas estruturantes do clube. Rogério Alves e outros membros dos órgãos sociais foram convidados e recusaram-se a comparecer.
A Sporting TV - o órgão de informação do clube, de e para todos os sportinguistas - não fez a cobertura deste evento. Lamentável, mostrando que é difícil de resistir à tentação de usar os meios de comunicação do clube como instrumentos de campanha ao serviço dos órgãos sociais. Não é uma originalidade desta direção saliente-se. E por falar em coerência, estranha-se esta decisão de Frederico Varandas quando o mesmo, enquanto candidato, fez questão de comparecer às jornadas do Sporting Talks. Interrogo-me sobre o que terá mudado desde então.
Voltando ao voto eletrónico, manifesto-me, desde já, contra a sua introdução no atual contexto do clube, ainda que fosse bom esclarecer os sportinguistas se estamos a falar do e-voting - um sistema de voto eletrónico em ambiente controlado e com salas de voto espalhadas pelo país - ou o i-voting, um sistema de voto eletrónico à distância através da internet. E sou contra, por ser pública a fragilidade dos atuais sistemas informáticos do clube, o que aumenta os riscos de fraude e manipulação dos resultados. Se queremos aumentar a participação dos sócios, podemos começar por introduzir urnas de voto descentralizadas por vários núcleos no País que disponham de instalações para o efeito. E já agora, seria então de introduzir nos estatutos um órgão independente que controlasse o funcionamento das votações, pois há muito que se percebeu que é difícil assegurar a independência da Mesa e do CFD quando os mesmos vão na mesma lista do Presidente do Clube. Se queremos participação, então vamos ao fundo das questões em nome da coerência, sob pena desta reforma seletiva soar manifestamente a puro oportunismo à boleia do efeito Rúben Amorim.
Espero bem que o Sporting não cometa a loucura de resgatar Esgaio pelos valores pretendidos pelo presidente insolvente do Braga
Por falar em coerência e transparência as últimas semanas têm sido ricas. Desde logo, a novela em torno de Jesus e do seu regresso ao Benfica. Não deixa de ser irónico, diga-se. O clube da aposta na formação, propõe-se ao que parece oferecer 8M/época ao treinador que dispensou por não estar alinhado com o projeto desportivo do clube. Onde andam os comentadores que saltaram sobre a anterior direção do Sporting dissertando sobre a loucura financeira de tal aposta? E onde anda a comunicação social quando o nosso rival aumenta o empréstimo obrigacionista com a oferta em curso, quando o discurso oficial é de abundância? Estes 15m adicionais são para que efeito? O CNID pode não gostar dos meus artigos, mas a verdade é que vivemos num manto avermelhado.
Por falar em coerência, espero bem que a direção do Sporting não cometa a loucura de resgatar Esgaio pelos valores pretendidos pelo presidente insolvente do Braga. É que chega de alimentar os cofres do clube bracarense.
Nota final de cariz mais pessoal. Esta semana morreu minha avó e não posso deixar de a homenagear publicamente pelo exemplo e valores de dignidade que sempre me transmitiu. Um bem-haja a ela e a todos os avós, verdadeiros alicerces da coesão familiar. É bom que todos nos lembremos que o futuro só se constrói com respeito pelo passado. Vale tanto para a nossa vida pessoal, como para a vida das instituições.
