Milhões empatados em Gauld e Slavchev seriam suficientes para ter Carrillo quase mais três anos no Sporting
Antes de celebrar e cantar vitória na Supertaça perante o seu anterior exército, o treinador do Sporting teve uma tirada que ressoou até ao momento de levantar bem alto o troféu: "Cheguei aqui e mudei tudo." No contexto, Jorge Jesus apenas quis alfinetar Rui Vitória, o técnico que estava do outro lado, e a "estrutura" que o envolve no Benfica. A verdade é que, e estimava-se que assim fosse, a transformação detonada por Jesus vai muito além da evolução tática do 4x3x3 para o 4x4x2 ou do recheio do plantel. Abrangente, muitas vezes esgotante, o técnico, escudado no terreno por Octávio Machado - o reforço para lá dos reforços -, tem dado muito que fazer ao presidente, obrigando-o a passar mais horas no gabinete no exigente trabalho de angariação de armas para atacar a sério os objetivos proclamados. Contratar pesos pesados como Bryan Ruiz ou Teo Gutiérrez tira mais o sono do que lançar a malha a um Slavchev ou a um Ryan Gauld. É no escritório, procurando amansar e sensibilizar a outra parte e os que representam os seus direitos, que Bruno de Carvalho luta nesta altura para concretizar a intenção de satisfazer o que Carrillo pretende para renovar contrato - porque o desejo de continuidade tem um preço. Mas, por aquilo que o peruano pede, é seguro que os mais de cinco milhões de euros empatados nas compras dos descartados Gauld e Slavchev seriam suficientes para, no mínimo, ver o Culebra de verde e branco mais quase três anos. Ir ou não ir à Champions condiciona muitas coisas, mas há umas que merecem mais ginástica, esforço e até critério do que outras.
