Se o mercado já ferve é porque se preguiçou menos na deteção de potenciais alvos que sirvam à bolsa
Concluído o campeonato, festejou-se o campeão, celebraram-se os cometimentos dos que se agigantaram para rasteirar históricos, choraram-se insucessos e despromoções, apanharam-se as canas e, após múltiplas descargas de adrenalina, a temperatura não baixou. OK, a temporada oficial não terminou, ainda há uma importante final da Taça de Portugal para discutir no próximo domingo - e que servirá para sacudir o pó e as teias de aranha do Estádio Nacional -, mas a febre já é outra. O mercado desatou a mexer a grande velocidade, ameaçando diminuir o rol das emoções típicas do período do ano em que se sente o cheiro do mar ou do campo. Que se passa? Corrigem-se estratégias e, desta feita, ao contrário de há um ano, ninguém quer deixar para o último dia, para o derradeiro segundo do período de transferências a oportunidade de fazer dinheiro ou definir o melhor plantel possível, evitando que o mesmo fique coxo nesta ou naquela posição? É tudo isso, mas muito mais. Cá dentro como lá fora, será impossível dissociar o entra e sai de treinadores das operações de reconstrução dos plantéis, mas, em Portugal, haverá pelo menos outra boa justificação para, sobretudo entre os mais fortes, ninguém ficar a ver como param as modas: preguiçou-se menos na deteção, análise e ponderação dos potenciais alvos. Feita a sinalização dos mais interessantes na relação qualidade/preço - porque há menos dinheiro para estoirar e milhões de razões para amealhar -, impunha-se o ataque para segurar o ouro. Olha-se à bolsa - é a crise -, mas, depois de um campeonato que feriu corações, decresce a vontade de esfarrapar desculpas.
