DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz.
Em Portugal não há processo eleitoral sem, pelo menos, um par de cucos, aqueles desconhecidos que aproveitam a janela de mediatismo para virem cá fora e deixarem de o ser.
Tudo me leva a crer que Ricardo Oliveira e Nuno Sousa entrem nessa categoria. Não que eu veja com bons olhos a unanimidade, nada disso - vejo-a até mais facilmente como um sinal de morte.
Mas para se candidatarem numa altura destas, com o Sporting recuperado de um dos episódios mais traumáticos da sua história e a crescer a olhos vistos em saúde desportiva, teriam de mostrar um conhecimento e uma visão estratégica que manifestamente não possuem. Ideias são mesmo muito poucas e todas alinhadas do lado da gestão. Esquecem-se de que os adeptos amam o clube e reconhecem ao presidente em exercício a coragem de ter vestido a bata de médico para o tratar num momento crítico. Somos exigentes, mas não ingratos. Sabemos que foram feitas asneiras, mas muito mais se acertou, e sobretudo aprendeu-se.
O Sporting é hoje um clube em progressão, também do ponto de vista financeiro. Se estes dois candidatos fizessem valer ideias novas, desafiadoras, passíveis de ser adoptadas pelo próprio Varandas no mais do que certo futuro mandato, toda a gente lhes tiraria o chapéu, mas como isso dá trabalho e talvez a presidência do Sporting não seja a única coisa que almejam com esta candidatura preferem repetir muitas vezes a mentira de que o líder messiânico do clube se chama Rúben Amorim e acreditar que assim, aos olhos dos sócios, ela se transforme em verdade. Vale a pena, a talhe de foice, lembrar que Marcel Keizer, um dos muitos "disparates" que, segundo Ricardo Oliveira, caracterizam a presidência de Varandas, se prepara para disputar a segunda ronda do Mundial de Clubes com o Al-Hilal de Leonardo Jardim, depois de o seu Al-Jazira ter goleado o AS Pirae.
Podia não ser a última bolacha do pacote, mas o Sporting na altura não tinha dinheiro para comprar bolachas e arriscou num treinador competente que, ainda assim, lhe deu dois títulos. Foram de quem, já agora? De Rúben Amorim? Ou então, se Keizer era mau, talvez tenham sido de Varandas. Enfim, estes discursos raiam o ridículo. Onde vai um vão todos, não é? Então aprendamos a dar valor ao colectivo. Varandas, Hugo e Rúben, cada macaco no seu galho, têm feito um trabalho fantástico, e isso reflecte-se depois em tudo o que o clube produz de positivo. O exemplo, como sempre, deve vir de cima. Dito isto, e já que dei tanto no cravo, acabo a dar uma na ferradura. O nosso presidente fala muito dos valores e princípios éticos que pretende para o Sporting, mas admite que um dos jogadores da equipa principal os envergonhe jornada a jornada. Nuno Santos já disse que não vai mudar de atitude. Talvez não fosse mau, então, senhor presidente, ele mudar de clube. Chama-se coerência.

