A análise de Manuel Queiroz à ronda inaugural da I Liga.
Primeira jornada com muitos golos, o que não é exatamente uma novidade: nos últimos oito campeonatos, desde que se voltou às 18 equipas, só uma vez é que não se marcaram mais de 20 golos - em 2016/17, apenas 18 -, porque, de resto, já se chegou até a marcar 29, em 2015/16.
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Este ano ainda não sabemos - 26 até agora -, porque esta Liga NOS teve o Sporting-Gil Vicente adiado para outubro. Não sei se vai ficar tudo bem com a segunda vaga da pandemia aí.
O Benfica começou com 5-1 e não faltaram os títulos sobre o arrasar. Na época passada, por acaso, o Benfica começou com duas vezes cinco - cinco na Supertaça ao Sporting, cinco na ronda inicial da Liga, ainda que em casa e com o Paços. É preciso sempre pôr as coisas em perspetiva, porque na época passada era tudo cor de rosa com Bruno Lage no banco e RdT a ponta de lança. A diferença é que o Benfica gastou agora muito mais dinheiro - mais de um João Félix desde essa altura, para dizê-lo assim - e alguns dos jogadores são francamente bons. O Famalicão chegou atrasado a este campeonato, de tal modo que o treinador João Pedro Sousa até gostou da equipa - o que seria com um resultado mais simpático e menos erros da defesa. O Benfica vinha de uma eliminação terrível em Atenas, deixando a Liga dos Campeões antes de começar, mas a equipa tem uma boa base de trabalho e tinha tido cinco semanas a pensar nestes dois jogos. O Benfica é o que já se sabia - um dos dois candidatos ao título. Veremos se há mais.
O FC Porto entrou à campeão, pelo menos no resultado: 3-1 ao Braga, com o qual tinha perdido os três jogos da temporada passada, incluindo uma final. Mas também aqui cuidado com as conclusões rápidas. Dois penáltis, nascidos de erros individuais pouco aceitáveis de Raúl Silva e Tormena, permitiram esta vitória, além de um golo em que não fiquei convencido de que Sérgio Oliveira fosse o último a tocar na bola. Na segunda parte, a equipa de Sérgio Conceição quis que houvesse o mínimo de jogo possível, numa atitude mais defensiva do que conquistadora. Era um jogo muito importante, de responsabilidade, e o campeão teve a sorte do jogo (e uma primeira parte bem melhor do que a do Braga, reconheça-se). Nos primeiros dez minutos, o Braga perdeu duas bolas no primeiro terço ao querer sair a jogar desde a sua área. Perante a pressão alta do FC Porto, a equipa teve sempre essas dificuldades - na segunda parte, o FC Porto nunca o fez, limitou-se a gerir o resultado e correu-lhe bem, sobretudo naquele inacreditável falhanço de Ricardo Horta.
Por falar em golos, ainda: nem sempre 3-3 é um grande jogo. O Nacional-Boavista teve vários golos muito facilitados por erros defensivos pouco aceitáveis. O número de golos nem sempre arrasa.
