DRAGÃO DO SUL - Um artigo de opinião de Paulo Baldaia.
Podíamos e devíamos ter ganho o jogo, mas demos a primeira parte de adianto. Desta vez, fomos nós os culpados.
O Boavista foi ao Dragão com a lição bem estudada e fez pelo resultado nessa primeira parte. Francisco Conceição merecia mais, muito mais, nesta estreia fantástica. Maldito VAR, que até teve razão ao anular o golo, porque a bola bateu na mão do Evanilson. Mas aquela jogada do Francisco, mais ainda que outras arrancadas feitas antes, merecia golo.
O título desta crónica não é meu, é emprestado pelo João Abreu, da SIC, numa troca de mensagens no Whatsapp, mas ele define bem o drama daquele golo anulado. Não tem a ver com ganhar ou perder, neste caso empatar, tem que ver com a justiça que não foi feita. O golo foi bem anulado, atrasámo-nos ainda mais na luta pelo campeonato, mas ontem confirmou-se que há um craque de nível mundial a jogar de azul e branco.
O que diriam?
Infelizmente tinha razão, não queria ter, mas tinha. Ando há semanas a chamar a atenção para a golpada que está em curso, assente numa duplicidade de critérios com que se prejudica uma equipa e se beneficiam outras. E para todos aqueles que, na periferia dos centros de poder, ou mesmo fazendo parte desse poder, vão admitindo os erros sucessivos, mas nos querem calados, venho pedir resposta para uma pergunta simples: e se fosse com o clube do regime?
Imaginem que no FCP-SLB, tinha sido o Darwin expulso, como foi Taremi, mas depois tinham perdoado ao Otávio três amarelos, como perdoaram a Pizzi, ou dois a Manafá, como aconteceu com Nuno Tavares. E, portanto, o Benfica teria jogado injustamente com menos um. O que diriam?
Imaginem que no Belenenses-SLB e depois no Braga-SLB acontecia ao clube da Segunda Circular o que aconteceu ao FCP, com uma dualidade de critérios tão aberrante em que de um lado não se marca penálti, nem se mostra cartão, mas do outro se expulsa um jogador, mudando de forma definitiva o jogo e o resultado. Imaginem igualmente que nestes dois jogos, mais um com o Braga para a Taça, os adversários jogam à margem da lei e, mesmo assim, são poupados a uma série de amarelos. O que diriam?
Podia continuar com os exemplos desta duplicidade de critérios que tem prejudicado o Futebol Clube do Porto e pedir-lhes para imaginar que tudo se passava com o Benfica, mas sabem que não vale a pena, porque se tivesse acontecido um só jogo com o vosso clube o que aconteceu com o nosso, tinha caído o Carmo e a Trindade. Portanto, deixem de se armar em pudicos, fazendo de conta que o problema é nós não gostarmos do que está a acontecer.
Ameaças inaceitáveis
Não posso repetir os impropérios que lancei aos árbitros em conversa com amigos de vários clubes, mas eles só são aceitáveis exatamente porque são ditos entre amigos e não contêm qualquer tipo de ameaça, apenas uma manifestação de desagrado pelo péssimo trabalho desses senhores. As ameaças de morte são, simplesmente, inaceitáveis!
Não parto do princípio de que os erros a que temos assistido são apenas resultado da incompetência. Num país com índices demasiado altos de corrupção, não acredito que seja o futebol o melhor exemplo e, portanto, tenho de admitir que exista marosca, tanto mais que os indícios revelados pelos emails não permitem tapar o sol com uma peneira. A Justiça tem a obrigação de investigar e julgar, os interessados têm a obrigação de pressionar para que seja feita justiça. As ameaças de morte são, simplesmente, inaceitáveis!
A única ameaça aceitável, para um clube permanentemente prejudicado, deve resultar de uma profunda ponderação para perceber as consequências desportivas e financeiras de abandonar o campo se voltar a acontecer o que aconteceu na Pedreira, como disse o presidente do FCP que lhe sugeriram. Essa ameaça, sendo feita, deixaria o poder com um pé atrás e, sendo concretizada, colocaria o futebol português sob escrutínio internacional. Não me parece que interesse muito aos promotores desta aldrabice que se olhe com olhos de ver para o que está a acontecer. Quaisquer outro tipo de ameaças, dirigidas pessoalmente aos árbitros e às suas famílias, quaisquer ameaças de violência são, simplesmente, inaceitáveis!
