LINHAS DE PASSE - Um artigo de opinião de José Carlos Oliveira, diretor da Federação Portuguesa de Futebol
No espaço de uma semana, a Federação Portuguesa de Futebol esteve no terreno, em Leiria e Santarém, junto de alguns dos locais mais afetados pelo mau tempo que, nas últimas semanas, provocou danos muito significativos no País, com um nível de destruição sem paralelo na nossa história recente. Seguir-se-á Coimbra, assim as condições o permitam. O Desporto, e o Futebol em particular, não ficaram imunes: estádios, academias e pavilhões sofreram danos relevantes, comprometendo o normal desenvolvimento da atividade desportiva.
Os cenários encontrados são difíceis de descrever e, sobretudo, de assimilar. Em momentos como este, valores como a solidariedade, a proximidade e a capacidade de agir com rapidez fazem toda a diferença. O enquadramento regulamentar existente contempla situações desta natureza e deve ser acionado com a maior celeridade. Foi nesse contexto que a FPF, em articulação com a Liga Portugal, a Mesa do Plenário das Associações Distritais e Regionais, a ANTF e o Sindicato dos Jogadores, constituiu a Comissão Coordenadora para as Emergências no Futebol, uma estrutura dedicada à resposta organizada a catástrofes naturais com impacto na nossa atividade.
Com duas reuniões já realizadas, a Comissão tem acompanhado a operacionalização do Fundo de Catástrofes, devidamente regulamentado e aberto a candidaturas até ao final deste mês, assegurando um primeiro nível de intervenção e a canalização de apoio para entidades desportivas. No mesmo âmbito, foi ratificada a realização, em Leiria, do último jogo da Seleção Nacional antes da partida para o Mundial de 2026, numa data simbólica - 10 de junho, dia de Portugal -, com parte das receitas a reverter para apoiar as situações de emergência. Paralelamente, a Cidade do Futebol foi colocada à disposição das equipas privadas dos seus habituais locais de treino.
São pequenos gestos concretos, mas de profundo significado. A mobilização do Futebol português tem estado à altura da dimensão das suas instituições e da responsabilidade social que lhes cabe. Nenhuma tempestade é eterna, e é nos momentos mais exigentes que se afirma a força de uma comunidade.
Na próxima semana, depois de Viseu, a FPF realizará em Leiria a sua segunda reunião de Direção descentralizada, reforçando a presença no território e a proximidade com os Clubes e populações afetadas. Porque é juntos que continuaremos a fazer a diferença.

