RUGIDOS DO LEÃO - Um artigo de opinião de Samuel Almeida.
1 As meias finais da LC não contarão com nenhuma equipa espanhola ou italiana, sendo de destacar a qualificação do Leipzig, um caso de estudo a nível europeu.
Uma estrutura altamente profissional, um scouting de eleição em países periféricos (Áustria, Polónia e outros mercados), uma aposta consistente na juventude e num projeto desportivo claro e estável. Um exemplo que pode e deve servir de inspiração para clubes com menor capacidade de investimento.
Comprar bem e barato, cometer poucos erros e dar tempo para que os jovens se possam afirmar. Mas no caso do Leipzig, percebe-se facilmente a coerência e consistência do projeto, replicado, aliás, noutros clubes de segunda linha europeia. Quando se fala em parceiros para a SAD leonina, é este tipo de projeto que poderia merecer a minha concordância, salvaguardando, sempre, a maioria do capital junto do clube.
2 Ronaldo e Messi foram eliminados da Champions, um sinal dos tempos e do progressivo declínio dos dois magos do futebol nos últimos 15 anos. Que privilégio tivemos em poder presenciar ao vivo o talento único destes dois génios da bola. Mas esta eliminação mostra, igualmente, muito do que foi a carreira destes dois enormes jogadores. A Juventus foi eliminada, mas CR7 foi, uma vez mais, o esteio daquela equipa, marcando dois golos e mostrando pela enésima vez a têmpera de que é feito. Talento sim, mas muito trabalho, muito esforço, muita resiliência, competitividade e uma ambição única de vencer. Ronaldo perdeu como venceu a vida toda: com a cabeça levantada. O Barcelona de Messi, por seu turno, foi amassado por um Bayern que gosta dos ares lusitanos. Para além da imensa demonstração de poder e competividade da equipa bávara, assistimos à passividade e descrença da equipa catalã. Messi perdeu como ganhou muitas vezes, com estrondo.
3 Rui Santos deu uma longa entrevista, sendo que não se coibiu de apontar o dedo a quem muito tem contribuído para o clima lamacento em que se encontra o futebol português. Louve-se a coragem do jornalista e comentador, que apontou o caminho da saída aos dinossauros do futebol luso. O ocaso do Sporting - para além das muitas culpas próprias - resulta, igualmente, do contributo destes dirigentes, o que nos deve levar a recusar qualquer tipo de relacionamento institucional e, muito menos, de alianças com qualquer um dos nossos velhos rivais. O caminho para o Sporting não poderá passar - e ocasionalmente cometemos esse erro de raciocínio - por copiar o modelo de gestão e práticas dos nossos rivais, mas sim pugnar por uma alteração clara do quadro regulamentar, disciplinar e competitivo das nossas ligas, bem como lutar pela aprovação de regras claras em matéria de transparência e incompatibilidades aplicáveis a todos os dirigentes desportivos. Este futebolzinho luso está igualmente à beira do ocaso. O caminho do Sporting não poderá ser copiar os nossos rivais, ser igual a eles, mas sim ser muito melhor que eles, reocupando o lugar de esteio da luta pela integridade das competições e transparência. Para esse caminho poder ser trilhado, o Sporting terá de montar em poucos anos a melhor estrutura profissional do futebol luso, recrutando e atraindo para si o melhor capital humano e competências transversais de gestão desportiva e financeira. Para o Sporting voltar a vencer vamos precisar de montar a melhor SAD do futebol português e criar um projeto transformador. Um projeto de boa moeda que afaste a má moeda e todos aqueles que acumulam tantos títulos desportivos quanto processos judiciais.
4 O Benfica está a montar o que parece ser uma equipa de luxo para o futebol luso, investindo bem mais de 100 milhões no reforço da equipa de Jesus. Uma orgia de dinheiro à véspera de eleições. É uma opção legítima dos nossos rivais. Contudo, o que choca neste processo é que a apregoada aposta na formação foi enfiada no lixo e consigo as páginas e páginas de propaganda dos últimos anos. O Pravda vendeu o projeto do Seixal em capas e capas de despudorado servilismo a um clube. Ninguém questiona, ninguém faz perguntas, ninguém ousa pôr em causa. Uma tristeza.
