ECOS SEM VÍRUS - Opinião de Manuel Queiroz
Bayern pós-covid
Não se têm visto muitos negócios no futebol, mas o Bayern Munique dá o tom: depois de ter renovado o contrato do treinador Hansi Flick por três anos - e não era muito difícil, porque ele tinha um salário baixo -, agora foi a vez de Thomas Muller. O avançado de 30 anos acabava a ligação em 2021 e esta passa a 2023, e tem outro significado: é contrato já pós-covid. Não se sabem números, mas Muller, que está no clube desde os dez anos, é um dos mais bem pagos e estava na lista de vários emblemas britânicos. Ou seja, o Bayern manteve a proposta que lhe tinha feito já antes do mês passado. Assume isso e faz uma profissão de fé no futuro próximo.
Adi Hutter
O treinador austríaco do Eintracht Frankfurt deu ontem uma videoconferência de Imprensa. É um dos vários clubes alemães que já voltaram aos treinos, ainda que com muitas cautelas, e Adi Hutter deixou algumas ideias interessantes. Disse-se defensor da renúncia a uma parte do seu salário, apesar de o Eintracht ter uma boa situação financeira, e que não será já, mas é bom para a normalização da sociedade que haja futebol, mesmo sem espectadores. "Penso que em maio seja possível haver futebol na Alemanha", disse o treinador de Gonçalo Paciência, André Silva e Bas Dost.
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Holanda: muito difícil
A federação holandesa, apesar da oposição dos principais clubes (Ajax, PSV, AZ), quer que as duas ligas profissionais voltem a jogar-se a meio de junho e que se acabem os campeonatos até ao fim de agosto. O primeiro-ministro Mark Rutte não parece muito de acordo: "O governo já disse que até 1 de junho estão proibidos os espetáculos, mesmo sem público. Por isso, a federação diz isso por sua conta e risco. Antes do fim de abril diremos o que pode ser feito depois de 1 de junho." Os maiores clubes acham, por seu lado, que não vai haver mais campeonato no meio do sofrimento (já houve mais de dois mil mortos no país por causa da covid-19).
A FIFA em campo
A FIFA está a aconselhar que os contratos dos jogadores tenham uma extensão até ao final real das competições - e as regras dos contratos dos profissionais são com a FIFA, claro. E diz que estenderá as janelas de mercado. Pois, mas o problema é que não há nenhuma previsão de quando se pode recomeçar. E o mercado é global, mas os diversos países estão em diferentes estádios da pandemia. E mais ainda: é mesmo boa ideia estender esta época até ao necessário, quando as receitas (de bilheteira e parte da TV) estão comprometidas? Têm mesmo a certeza? Eu só tenho dúvidas...
