As impressões digitais de Bruno de Carvalho estão vincadas no plantel com que Marco Silva avança para a luta
A contratação do escocês Ryan Gauld, o "prodígio de 18 anos" recebido no dia do 108º aniversário do Sporting, é apenas a confirmação de que o clube, no que diz respeito a prospeção e deteção de talentos no futebol profissional, se virou para mercados adormecidos ou mesmo pouco comuns no seu historial de recrutamento. Em crescendo de intensidade, os sinais de alteração de estratégia foram dados com as aquisições de Slavchev (Bulgária), Rosell (Estados Unidos) e Tanaka (Japão) e reforçados com o interesse em atletas como Strandberg e Milosevic (Suécia). Este conjunto de dados fermenta a ideia de que, com um treinador novo no cadeirão que na temporada passada pertenceu a Leonardo Jardim, os leões preparam um segundo renascimento sob a liderança de Bruno de Carvalho. Sim, este plantel mais multinacional, ainda em moldagem e com diversos pontos de interrogação a mês e meio do arranque do campeonato - William e Patrício ficam? Rojo, Dier, Capel e Slimani saem? -, não configura uma simples passagem de testemunho; pelas movimentações constatadas, está muito para lá de uma herança singela num processo de transição ou mudança de comando técnico. As impressões digitais do presidente, para o bem e para o mal, estão vincadas no grupo com que Marco Silva, reformulando e reconstruindo, será obrigado a assumir a discussão do título nacional com Benfica e FC Porto, além de ter de fazer "boa figura" - leia-se passar uma imagem de dignidade - na Liga dos Campeões. É uma dose de leão.
