LIGA-TE - Atentos ao mundo do futebol, não deixámos de aplaudir a muito recente posição da Premier League face à proposta da FA (Football Association, a federação inglesa) e às pressões com origem nos que defendem este neoisolacionismo britânico.
A Premier League disse "não" à redução de jogadores estrangeiros nos plantéis, conforme proposta da FA, que pretendia que os atuais 17 (em cada plantel de 25) passassem para 12. Em uníssono, os emblemas do campeonato mais rico do mundo disseram que não, nem sequer estavam para aí virados.
E o seu principal argumento foi mesmo esse: foi, precisamente, pela globalização do campeonato inglês e das suas marcas que se tornaram tão fortes. Foi pela capacidade de ter os melhores protagonistas, com critérios de integração de estrangeiros muito próximos de todos os restantes países, que são uma indústria que vale muitos milhares de milhões de euros.
Na Premier League, que em 2019 passará a ser gerida por uma mulher - Susanna Dinnage -, tem-se bem a noção do quanto poderá ser penalizador entrar-se, agora, em discursos isolacionistas, mais ou menos disfarçados de proteção à seleção inglesa, quando até o próprio selecionador questionou a proposta da FA, o seu patrão.
Mas verdadeiramente fantástico foi ver que todos os emblemas ingleses, com as históricas rivalidades postas de lado, souberam, neste processo, defender a sua indústria e o seu valor no mercado.
"Todos os emblemas ingleses, com as históricas rivalidades postas de lado, souberam defender a sua indústria e o seu valor no mercado"
Por cá, estamos - o futebol profissional - também em luta, a favor da valorização que a sociedade civil reconhece no futebol. Na discussão na especialidade do orçamento de Estado, os jogos de futebol mantêm-se fora dos critérios de redução da taxa do IVA, de forma a poderem ser equiparados a outros espetáculos públicos, logo o futebol que aquando da chegada da troika viu a taxa dos bilhetes aumentar da taxa mínima (6%) para 23% e manteve a solidariedade com a austeridade.
Agora, pedimos reconhecimento e continuaremos, junto do Governo e dos partidos com assento parlamentar, a pugnar pelos interesses das sociedades desportivas e dos adeptos neste capítulo, de forma responsável e civilizada, para que também este debate não se transforme numa grande tourada.
O futebol é o espetáculo com mais público durante todo o ano. São mais de quatro milhões de espectadores em todos os estádios entre os jogos da Liga NOS, da Allianz CUP e da LEDMAN LigaPro. E queremos que tenham os mesmos direitos que qualquer outro espectador de qualquer espetáculo público, nomeadamente dos que têm o IVA mais reduzido. Só assim teremos as famílias com capacidade para continuar a encher os estádios.
Travaremos mais esta luta!
