Cinco dedos? Para lembrar a Jesus que, pelo quinto ano seguido, o Benfica chega aos "quartos" da UEFA?
A história da segunda eliminatória europeia entre Benfica e Tottenham promete ser contada e, um dia, recordada pelos dedos. E, vendo bem, faz todo o sentido que assim seja, pois do que falamos é de uma decisão a duas mãos. Aos três que Jorge Jesus, treinador dos encarnados, lhe mostrou há uma semana em White Hart Lane, numa picardia disfarçada de reação após o 3-1 assinado por Luisão, Tim Sherwood, comandante dos spurs, contrapôs, na antevisão ao embate desta noite, uma ideia de contragolpe com requinte de malandrice, reclamando holofotes adicionais para as áreas técnicas do relvado da Luz. "Pode ser que no final do jogo lhe mostre cinco dedos, dois ou apenas um", disparou o antigo guarda-redes - eis mais um pormenor que puxa a conversa para as mãos... -, rindo-se do que acabara de dizer, isto é, gozando com a malícia pulverizada pelo seu desabafo. Fingindo-me de inocente, pergunto: o que é que o inglês a quem a vida corre mal - vem de três derrotas consecutivas e com uma equipa esfrangalhada - quereria dizer? Arrisco uma autópsia. Cinco dedos? Talvez para, num contexto de resignação, recordar a Jesus que, pelo quinto ano seguido, o Benfica atinge no mínimo os quartos de final de uma competição da UEFA. Dois dedos? Porventura para, num quadro de média felicidade, lhe explicitar que, pela primeira vez esta época, uma equipa marca dois golos na Luz em jogos europeus. Um dedo? Eventualmente para, num cenário de (relativo?) sucesso, lhe atirar à cara que o Tottenham desfez uma invencibilidade caseira que dura(va) há 41 jogos. Veremos o troco que Jesus e a sua equipa têm para lhe dar.
