Já não há paciência para tanto atraso nas questões relacionadas com a Disciplina nas competições profissionais. Há que mudar, rápido.
Na antecâmara de um clássico entre FC Porto e Benfica, que não terá os dois treinadores principais no banco - punidos há dias por delitos cometidos há quase um ano -, importa reter as palavras de Cláudia Viana, a anterior presidente da Comissão de Instrutores da Liga, um dos órgãos visados na polémica em torno da morosidade de processos.
Numa raríssima intervenção pública, que faz hoje nas páginas de O JOGO, a também professora de Direito na Universidade do Minho põe o dedo na ferida: "No que respeita aos regulamentos, afigura-se-me que seria importante, primeiro, repensar o modelo de justiça vigente, designadamente em relação à sua organização bem como ao seu funcionamento."
Em resposta às nossas perguntas, Cláudia Viana considera vital reformar as metodologias de Disciplina, o que é, para nós, bem mais importante do que o monte de detalhes que se avoluma nos regulamentos, que apenas serve para desculpas ou argumentos, a preceito, para defesa das organizações de tutela do futebol: FPF mais o seu Conselho de Disciplina, e Liga mais a sua Comissão de Instrutores. Que até são os mesmos detalhes usados em racionais de comunicação pelos emblemas. O adepto, que se entusiasma por polémicas do género, até pode gostar da conversa de café gerada pelo "atraso da justiça desportiva", expressão comum e pouco rigorosa. Os verdadeiros afetados são treinadores e jogadores. Não por serem culpados ou inocentes, mas porque dão a cara pelo jogo, porque suam e se esfalfam para que tudo pareça mais sério do que muitas vezes é.
Importa mesmo muito pouco quem tem culpa no cartório, quem foi incompetente na gestão e quão prejudicial pode ser a um fenómeno que vive de mediatismo a quase nula gestão de prioridades de dimensões diferentes das medidas pela balança empunhada pela "justiça cega". Estes são fatores de diagnóstico e já não servem como solução. E porque não se podem anular instituições, regulações, regulamentos e até os aspetos mediáticos, às tantas é mesmo melhor repensar o modelo de justiça desportiva. Até para se poupar no TAD...
