A opinião de Carlos Machado, chefe de redação de O JOGO.
Jurgen Klopp, treinador do Liverpool, explicou com toda a calma ter do lado dele inúmeras razões para levar o Liverpool a investir 43 milhões de euros (pode chegar aos 50) na contratação de Diogo Jota.
Usou argumentos simpáticos como ser boa pessoa e falar bem inglês, e depois os mais importantes no relvado: ser muito rápido, inteligente, fazer as três posições do ataque em 4x3x3, jogar em vários sistemas e... saber defender e saber pressionar. Para o fim, deixei propositadamente a parte principal.
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Quando vemos em ação o Liverpool campeão europeu de 2019 e o Bayern Munique, atual campeão da Europa, toda aquela movimentação parece fácil. É atacar, pausar, atacar, perder a bola, recuperá-la no ato seguinte e reiniciar o ciclo. Tão fácil, tão bonito e tão simples que nem se percebe a razão para todos os outros não os imitarem. A parte difícil é o quanto complicado é atingir aquele nível de simplicidade, aquela qualidade futebolística. Consegue-se com treino, muito treino, jogadores com qualidade, boa escola, disponibilidade física e inteligência. Para baralhar um pouquinho, defender continua a ser a melhor arma para atacar. Sistematizar é importante, fazer e repetir vezes sem conta até a equipa ser capaz de jogar sem pensar, em piloto automático, é uma primeira fase, funciona muito bem com alguns jogadores, mas acrescentar critério e inteligência faz a diferença.
Quando um dos mais conceituados treinadores da atualidade acaba de ver satisfeita a contratação milionária de um avançado e elogia-lhe a capacidade defensiva e de pressão, está explicada uma parte do sucesso das máquinas de futebol demolidoras. O Liverpool, como todas as outras grandes equipas, passam muito tempo ao ataque porque são melhores do que os outros a recuperar a bola. Defendem de forma mais eficaz e mais à frente. Klopp, admirador confesso do Wolverhampton de Nuno Espírito Santo, mesmo utilizando sistemas de jogo muito diferentes, estudou Diogo Jota, sabe aquilo que lhe pode dar. Ao fim e ao cabo, aquilo que o conhecedor médio do futebol sabe: faz golos, é rápido, multifacetado no ataque. O alemão escolheu-o também pelas outras razões. Pois, porque quando se vê aquele Liverpool demolidor, sempre em cima do adversário, a chegar ao ataque a uma velocidade diabólica com Salah e Mané, raramente reparamos de onde eles partiram, em que zonas do campo ajudaram a fechar e a ganhar a bola.
Jota sabe fechar o corredor e pressionar no meio, pode fazer o lugar de um dos dois referidos, mas também o de Firmino.
