Desde a primeira hora que Infantino demonstrou uma ambição enorme.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, veio ontem - esquecendo o que sucedeu antes e até durante o Campeonato do Mundo em relação a direitos humanos e "suspeitas" de corrupção - dizer: "Obrigado a todos no Catar por terem feito deste Mundial o melhor de sempre."
Não surpreende, há quatro anos dissera algo parecido sobre o Mundial da Rússia, prova sobre a qual as suspeitas de compra de votos foram mais do que muitas. Não interessa a parte desportiva - haverá edições melhores e outras piores -, a questão é a da FIFA se ter especializado em lavar a imagem de regimes autocráticos com lixívia perfumada e se isso é um caminho sem retorno.
Infantino chegou a ser um dos homens de confiança de Platini (um dos principais visados no escândalo de atribuição do Mundial ao Catar) na UEFA e viria a suceder a Sepp Blatter (que saiu sob acusações de corrupção) na FIFA, ficando com um cargo que pouco antes parecia destinado a Platini.
Desde a primeira hora demonstrou uma ambição enorme. Já desistiu do Mundial de dois em dois anos, mas levou avante o aumento para 48 equipas na próxima edição e a anunciou ontem provas que vão sobrecarregar, ainda mais, o calendário: a "FIFA World Series", para seleções, e um Mundial de Clubes com 32 participantes a partir de 2025. Uma loucura! Mas o dinheiro, certamente, vai jorrar como petróleo. É a ganância.

