Jorge Jesus atreveu-se a afirmar que a paragem "foi muito boa" e fez disparar as expectativas em seu redor.
Parece mentira, mas encerrada uma dupla jornada de compromissos das seleções nacionais de futebol, ou, exposto de outra maneira, ultrapassado um interregno competitivo de duas semanas, nenhum dos treinadores dos principais e assumidos candidatos ao título, FC Porto e Benfica, ousou puxar do manual de lamúrias e queixumes para maldizer eventuais efeitos perniciosos da pausa. Bem pelo contrário, Jorge Jesus atreveu-se mesmo a afirmar que esta paragem "foi muito boa", uma declaração que volta a fazer disparar expectativas em relação à sua equipa, a qual, com três meses de competição, ainda tenta embalar e descolar; ao mesmo tempo, o técnico chega lume à panela de pressão e afia os gumes das facas em seu redor, porque os adeptos estão saturados de paleio e de promessas por cumprir. A correr por fora, Leonardo Jardim só hoje se faz ouvir e, admita-se, até pode ser ele a furar a regra, mas não será de estranhar que o treinador do Sporting guarde esse tipo de almofada argumentativa para momento mais conveniente. É que, antes de nova ronda europeia e de jornada de campeonato aquecida por clássico - entre primeiro e segundo classificados - no Estádio do Dragão, temos à porta um fim de semana que qualquer um dos grandes, com o devido respeito que os seus adversários merecem, encarará com legítima tranquilidade. Arrumando a hipocrisia num cantinho, diremos que têm pela frente uma espécie de treinos que, no entanto, têm de ser encarados com aquele espírito de ganhar... nem que seja a feijões. Paulo Fonseca, tal como Jesus, não se esqueceu de passar esse recado aos jogadores para que todo o mundo leia e ouça.
