DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz.
Bom início de jogo por parte do Sporting, que teve cedo a primeira oportunidade, gorada por uma má receção de Jovane.
Fábio Veríssimo quis impor também cedo a sua presença e começou a distribuir amarelos sem nexo, que condicionaram a ação de quem levou com eles. Até aos 25 minutos foi o Sporting a estar por cima do jogo, ainda que de forma praticamente inofensiva.
Palhinha e Matheus Nunes, sobretudo este, não criaram a ligação que se pretendia e a equipa alongou-se, entregando-se a um futebol direto à espera de movimentações na frente, mas sem ter a precisão de passe que permitisse servir convenientemente os avançados. O Famalicão não pressionava alto e, com grande rigor tático e crescente ousadia, aproveitava as transições para criar também as suas ocasiões de golo. Apareceu então Iván Jaime, um mágico em potência que já na época passada espalhou perfume pelos relvados portugueses, e a equipa minhota, contando também com a inspiração de Ivo Rodrigues, fez surgir a melhor versão de Antonio Adán, autor de duas defesas providenciais que evitaram o pior. Mas o Sporting parou. As segundas bolas eram sempre do Famalicão e o perigo aproximava-se cada vez mais da baliza verde-e-branca, a ponto de o apito do árbitro para o fim da primeira parte ter sido um bálsamo para o coração dos adeptos leoninos.
Acontece que o jogo foi reatado como se não tivesse havido intervalo, e logo a abrir há um remate de Iván Jaime que por pouco não dá golo. Rúben Amorim percebeu que, de um lado, Jovane era um peso morto e, do outro, Esgaio não dava profundidade, pelo que meteu Nuno Santos e Pedro Porro. Foi deles, pouco depois, a jogada mais perigosa até então do Sporting, com uma bola no poste da baliza de Luiz Júnior. Pensou-se que talvez isso virasse a tendência da partida, mas nada. Em mais um lance de génio, Iván Jaime assistiu Ivo Rodrigues, que viu Adán opor-se ao seu remate sem conseguir impedir que a bola prosseguisse na direção da baliza, onde entrou após uma tentativa de alívio de Gonçalo Inácio que Nuno Mendes, atabalhoadamente, impossibilitou. O Sporting procurou ser mais assertivo e, pela direita, Porro ia de facto mostrando a raça de que é feito, com incursões objetivas e cruzamentos bem medidos, só que Paulinho está uma sombra do que chegou a ser no Braga. Eu pessoalmente não tenho prazer nenhum em criticá-lo, é não apenas um jogador da minha equipa como talvez, para já, o seu único ponta-de-lança consumado, mas manda a honestidade que se diga o que qualquer pessoa vê: vive por estes dias sem um pingo de confiança.
Volto a dizer que talvez devamos olhar para o mercado antes que seja tarde, como ontem foi quando Palhinha fez as vezes de Paulinho e, correspondendo a um cruzamento de Porro, restabeleceu o empate. O Sporting ganhou ânimo e procurou reescrever a história no pouco tempo que lhe restava, mas já sem a necessária lucidez. Não há como negar que o resultado é justo, e se o Famalicão tivesse ganho ninguém se escandalizaria. Por alguma razão António Adán foi o melhor em campo. Fica a lição para o futuro de um Sporting habituado a vencer: a fama não é garante de proveito.
