Não faltariam uns "olhem para isto!" se esta jornada fosse da Premier League. Ou estamos só mal-habituados?
Chove tanto lá fora como jorram golos nesta jornada, na qual cinco dos oito jogos já realizados tiveram quatro ou mais golos. Se fosse na Premier League, não faltariam publicações dessas contas tipo "Doutor Romário Filipe das Transferências" com o quadro de resultados e uma descrição sugestiva. Ou então só estamos mesmo mal-habituados. Bem, mesmo um dos jogos menos profícuos, o triunfo do Sporting e do Arouca, teve a incomparável emoção de ser decidido no último suspiro por Luis Suárez, no enorme talento de estar sempre no sítio certo, como quem cheira o golo e o agarra de pronto, nem que seja com o ombro. Há coisas de instinto e inatas, não desmerecendo o trabalho e o treino.
E também há sentimentos que não se explicam, como a descarga elétrica que devem ter tido os meninos Daniel Banjaqui e Anísio Cabral numa tarde no Estádio da Luz. O caminho é sinuoso e os mesmos que elevam ao pedestal mais alto costumam ser os mais rápidos a cair em cima, mas aquele momento ninguém lhes tira.
E por falar em sensações, estamos em 2026 e ainda há quem ache que demonstrar emoções é um sinal de fraqueza, como as lágrimas de Samu. Se tivesse dado um biqueiro à geleira ou um soco a uma porta, estava tudo normal, só que seria bem menos saudável. É no jogo que Samu tem de montar a carapaça. Quando acaba, pode ser um humano funcional outra vez.

