VISTO DE ITÁLIA - A opinião de Cláudia Garcia, aos domingos n'O JOGO.
Como tinha escrito nesta coluna na semana passada, o FC Porto tinha todas as possibilidades de passar em Turim e eliminar a Juventus.
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Isso aconteceu, mas ao eliminar a Vecchia Signora, os dragões não só garantiram a passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões, como também abriram uma crise que há muitos anos não se via na Juventus e que pode ditar o fim do projeto Ronaldo na equipa.
A imprensa italiana disparou forte contra Ronaldo depois da eliminação da Liga dos Campeões, mas mesmo assim o camisola 7 não se pode queixar do tratamento recebido em Itália. Pelo contrário. Foi acolhido como um herói, nunca comunicou em italiano, mas foi sempre venerado pelo público (adeptos da Juventus e não só). A crítica esteve sempre a seu favor, mesmo nos piores momentos: do caso Mayorga, aos problemas com o fisco espanhol e até mesmo quando foi o primeiro jogador a abandonar o país no início da pandemia. Ronaldo encontrou sempre apoio de Itália e dos italianos, quando em Espanha já não o tinha. Ele sabe disso.
No entanto, nunca procurou identificar-se um pouco mais com o país. Desde aquela apresentação excessivamente institucional, Ronaldo manteve sempre uma relação distante com Itália e com os adeptos da Juventus. Só uma vez deu entrevistas aos três jornais desportivos, pouco comunicou sem ser nas redes sociais. Isso é um erro que muitos atletas cometem.
Ronaldo nunca procurou identificar-se um pouco mais com Itália. Pouco comunicou sem ser nas redes sociais
Vejam Michael Jordan onde chegou sem redes sociais. São importantes, mas não substituem a credibilidade que só a comunicação social e a opinião pública podem dar. Além disso, Ronaldo nunca comunicou absolutamente nada aos italianos durante a pandemia, quando a Itália foi o país que mais sofreu na primeira vaga da doença. Não aproveitou a sua aparição no festival de Sanremo no ano passado, perdendo uma oportunidade única de dizer algo que o identificasse mais com o país. Talvez o jogador português e, quem com ele trabalha, pense que bastam os golos para ser amado, mas quando estes e as jogadas brilhantes começam a escassear, é preciso encontrar outras formas.
