VISTO DE ITÁLIA - A opinião de Cláudia Garcia, aos domingos n'O JOGO.
Não sei se para o Sporting, para o PSG ou para o Manchester United, mas Cristiano Ronaldo e a Juventus fazem bem em tentar uma separação amigável já este ano. Não vai ser fácil e, por isso, é bem provável que ambas as empresas continuem juntas até 2022, mas uma separação imediata fazia todo o sentido.
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A Juventus precisa urgentemente de abrir um novo ciclo. Está claro que o ciclo dos nove "scudetti" consecutivos terminou e, como tal, a equipa precisa de valorizar os jogadores jovens que já tem no plantel e contratar outros. Golos e recordes de CR7 à parte, a verdade é que o rendimento coletivo da Juventus piorou nos últimos anos. Não é só culpa de Ronaldo, que continuou e continua a fazer bem o seu trabalho, que é marcar golos determinantes, mas o colectivo não funciona. Como líderes técnicos, comerciais e carismáticos do projeto, parece-me difícil insistir com a dupla Ronaldo-Dybala. Ou fica um, ou fica o outro, ou não fica nenhum e que encontrem outro. Simplesmente porque Dybala não é Benzema e os dois não são compatíveis em campo.
Não é só culpa de Ronaldo, mas o colectivo não funciona. O problema principal é que a Juventus perdeu espírito de sacrifício
Não é só culpa de Ronaldo, mas o colectivo não funciona. O problema principal é que a Juventus perdeu espírito de sacrifício
Mas o problema principal é que a Juventus perdeu aquele espírito de sacrifício de grupo que a fez tão forte nos últimos anos. Mesmo sem grandes estrelas mundiais, a Vecchia Signora chegava sempre às meias finais e finais da Liga dos Campeões e ganhava títulos todos os anos. É normal que os ciclos terminem e a culpa nunca é de um só. A Juventus deve recomeçar daí: precisa de recuperar esse espírito colectivo.
Para Ronaldo, a mesma coisa. O capitão da seleção já não tem o mesmo carinho dos adeptos nem do grupo, nota-se uma falta de empatia que cresce em Turim à sua volta e, com o mundial do Catar às portas, Ronaldo faz bem em procurar outro clube onde possa prosseguir a sua carreira ao mais alto nível. Era um projeto que tinha tudo para funcionar, se a conquista da Liga dos Campeões tivesse chegado logo no primeiro ano. Isso não aconteceu e o brilho deste projeto foi-se perdendo. Agora, perante a necessidade de reiniciar um ciclo, deixou de fazer sentido a permanência de Ronaldo em Turim.
