VISTO DE ITÁLIA - Um artigo de opinião de Cláudia Garcia.
Partimos do princípio de que nem Cristiano Ronaldo deixou de ser um excelente jogador, nem Sarri deixou de ser um grande treinador, mas chegamos à conclusão de que dificilmente os dois podem coabitar.
Passaram-se meses desde os primeiros sinais de falta de empatia tática entre os dois e as coisas não mudaram até aqui.
Pelo contrário, a pausa provocada pela emergência coronavírus transformou a distância entre os dois protagonistas da Juventus num Monte Evereste. Sarri não perde a oportunidade para evidenciar os maus momentos de Ronaldo: "Falta-lhe brilho", "É um jogador que, por vezes, te causa alguns problemas, mas compensa porque também te dá tanto", são só algumas das frases do treinador italiano sobre o camisola 7 esta época. Depois da derrota com o Nápoles, na final da Taça de Itália, Ronaldo permaneceu em silêncio, mas não se pode dizer o mesmo da família. A irmã Elma manifestou-se nas redes sociais, lamentando-se do jogo da Juventus, uma crítica que vai direta a Sarri e que gerou vários "gostos" da família de Ronaldo. O comentário permaneceu, e permanece, online para quem quiser ver. Até quando pode durar esta situação entre os dois?
A Juventus chegou a um ponto em que nem sequer pode escolher. O clube "dificilmente" pode abdicar de Sarri, porque a época termina em agosto e a próxima começa já no início de setembro. Não faz qualquer sentido despedir um treinador, contratar outro e mudar o projeto desportivo em duas semanas. Aliás, a Juventus já está a planear a próxima temporada com Maurizio Sarri no banco, assim como o próximo mercado.
Por outro lado, o clube também anda às voltas com o dossiê Dybala, que ainda não renovou o contrato e só tem mais um ano e meio de vínculo com o emblema de Turim. Se Sarri sair, Dybala dificilmente renova, e o clube não pode perder um jogador como este grátis. Por último, mas mais importante, a Juventus também não pode abdicar do CR7, que num mercado como este, marcado pela pandemia, dificilmente terá clubes na Europa prontos a enviarem uma oferta côngrua até Turim. A família Agnelli investiu muito para ter o melhor jogador do mundo, o vencedor de cinco Champions e de cinco Bolas de Ouro e esse investimento ainda não está pago. A convivência forçada entre Sarri e Ronaldo corre o risco de se arrastar por mais uma época, a não ser que regresse Allegri. Eis a questão.
