Seria preciso novo "adeus" de Proença para que os líderes de Sporting e Benfica falassem e atacassem em conjunto quem transforma rivalidade em selvajaria?
Com a vida das pessoas não se brinca, em nenhuma circunstância. Era isto que se devia discutir na ressaca dos grandes dérbis de Lisboa do último fim de semana, com o propósito objetivo, e não hipócrita ou populista, de penalizar e banir os autores de faixas, contrafaixas e outras condutas selvagens, atentatórias, intoleráveis e incendiárias em qualquer recinto desportivo. Mas o quadro é bem diferente: num emaranhado de comunicados, respostas, recados e contra-ataques por diferentes vias, Sporting e Benfica fizeram tudo ao contrário, enveredando por caminhos altamente previsíveis e já manifestos em conjunturas comezinhas, mas dispensáveis entre instituições que, pesem as diferenças ideológicas, deveriam saber respeitar-se, a bem de uma rivalidade consciente e cerrada, mas jamais doentia. Ao invés, geraram uma onda de choque de utilidade tão incerta como o histórico corte de relações institucionais decretado pelos verdes e brancos, agora oficialmente de costas voltadas para Benfica e FC Porto. Chapada a sério na mediocridade dos que fomentam a indigência num espetáculo (de futebol, futsal ou o que for) teria sido os presidentes juntarem-se, falarem - seria necessário novo "adeus" de Pedro Proença??? - e concertarem uma estratégia comum para atacar o problema e punir os infratores. Mais uma vez faltaram coragem, esclarecimento ou simplesmente vontade a quem só ralha e se afasta das emendas.
