É no pavilhão que o Sporting mais tem brilhado, mas a realidade impõe uma impopular redução orçamental
Frederico Varandas prepara-se para dar um passo arriscado. No final de uma época em que as modalidades renderam ao Sporting importantes títulos europeus, o presidente assume a medida impopular de cortar uma fatia grossa dessa parte do orçamento. Mesmo acreditando na possibilidade académica de poder fazer mais com menos dinheiro, o presidente sabe que as lutas serão cada vez mais duras e intensas, basta olhar para os plantéis dos principais concorrentes. Até a moeda desta época tem dupla face: os títulos europeus ajudaram a iludir uma realidade interna de insucesso. De uma época para a outra, o Sporting passou de seis títulos para zero nas modalidades de pavilhão.
É sabido o quanto o investimento desmedido nas modalidades levado a cabo pela anterior gestão procurava, a muito custo!, apagar os insucessos do futebol, depois das promessas de títulos (campeonatos) e da contratação do treinador de um rival pago principescamente atendendo à realidade portuguesa. Contratações feitas por números irrealistas - agora consideradas incomportáveis - para rendibilizar o novo pavilhão colocaram certamente o Sporting numa situação financeira ainda mais delicada do que era sabido, mas renderam títulos para gozar e publicitar. E ganhar é, para o adepto, a verdadeira, a única!, razão de ser de um clube.
Varandas sabe que no impacto mediático o populismo se sobrepõe à ideologia ou mesmo às boas práticas, mas prefere outro caminho. Gastar menos e ganhar mais é, por ora, uma promessa a aguardar uma narrativa. Não empolga, por mais que seja a razão que lhe assiste. E é toda!
