Mudanças geram sempre resistência. Mas a Federação tem o dever de olhar para o futuro e de acompanhar a evolução das provas de estrada, que hoje mobilizam milhares e exigem critérios claros
O calendário nacional de atletismo entrou em 2026 com os Campeonatos Nacionais de 10 km em estrada, na Figueira da Foz, com um número recorde de participantes, mais de quatro mil incluindo os participantes na Corrida dos Reis. Tratou-se um sinal claro de vitalidade, paixão e compromisso de milhares de atletas com a modalidade.
Esta edição evidenciou a crescente paixão pelos desafios de estrada, mas também que o atletismo está vivo, dinâmico e capaz de atrair corredores de diferentes perfis, desde campeões nacionais e internacionais a entusiastas que correm pela alegria de estar juntos nas ruas.
Esta adesão refletiu um sinal claro de vitalidade numa modalidade que é um estilo de vida para milhares de pessoas. Sabemos que os tempos mudam, as exigências são cada vez maiores e a necessidade de organizar, qualificar e proteger quem participa tornou-se um imperativo. A nova regra da licença de participação diária, que entrou em vigor para 2026, vem defender isto mesmo. Num contexto em que todas as provas legalizadas exigem condições mínimas de segurança, esta licença garante proteção e tranquilidade a quem corre, algo que olhamos com naturalidade e responsabilidade.
A larga maioria dos inscritos aceitou esta solução sem dificuldade, compreendendo que correr com regras é correr melhor. O atletismo tem espaço para todos - federados, recreativos, jovens e veteranos - mas tem também de assegurar condições iguais e responsáveis para todos.
Mudanças geram sempre resistência. Mas a Federação tem o dever de olhar para o futuro e de acompanhar a evolução das provas de estrada, que hoje mobilizam milhares de pessoas e exigem critérios claros.
A Figueira da Foz foi, por isso, o ponto de partida de um atletismo mais organizado, mais seguro e mais transparente. E esse é um caminho que vale a pena correr.

