Como na Champions, também na Liga o FC Porto tem que acelerar após o fim do primeiro terço da prova
VELUDO AZUL - Opinião de Miguel Guedes
Ao sexto jogo no Dragão para a Liga, a 5.ª goleada. À exceção do jogo com o Benfica, o FC Porto conhece o caminho da baliza como poucos, mas precisou de esperar pela jornada 12 para ter um daqueles jogos que já não se usa: descansado, pacífico, controlado, com a certeza da vitória após o 2-0.
José Mota terá muito trabalho pela frente neste Paços ainda desconectado de competição e a divagar em dúvidas. A crise existencial dos "castores" não retira, porém, mérito ao "dragão" que, empurrado por um grande ambiente num estádio repleto, fez ruir a primeira e única estratégia do adversário: aguentar em muralha.
Após falhar quase escandalosamente o empate, o Paços foi completamente subjugado por um FC Porto artístico, a pautar todos os ritmos, imensamente superior e a querer jogar de pé para pé, convicto, doçura e tapete persa. Na retina, imensas jogadas de combinação que só foram possíveis pela acutilância da tríade Taremi/Evanilson/Pepê, sempre orquestrados pela maestria de Otávio e com Eustáquio (mais uma assistência) a crescer em preponderância. À 12.ª jornada, o Dragão descansou. Mas fez muito por isso.
Na Liga dos Campeões, o primeiro lugar foi assegurado com "sprint" em 2/3 do grupo, ultrapassando a condenação apressada dos dois primeiros jogos (uma derrota injusta em Madrid e uma noite caseira de franco terror frente ao Brugge), para fazer o pleno de vitórias depois. O Bayer não teve bom remédio, sabendo como é difícil contrariar o adágio de que "11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha". O Leverkusen perdeu e duas vezes. Aos belgas, foi dado troco na igual medida, assim como aos madridistas. Ao Atlético de Madrid, um duplo câmbio: vingou-se o jogo da jornada 1 e a eliminação feita de ronha e alguidar na fase de grupos do ano transato. Quase exemplar percurso, notável apuramento. Não há impossíveis. Amanhã no sorteio, o único adversário que se procurará evitar veste de vermelho. E se vier, estamos mais do que vacinados.
Como na Liga dos Campeões, também na Liga portuguesa o FC Porto tem que acelerar após o fim do primeiro terço da prova. A ausência de margem de erro tem destas coisas, coloca à prova a capacidade e a tenacidade de um grupo. Sabe-se que nenhuma equipa de Sérgio Conceição desiste enquanto sonha. A fase de grupos desta Liga dos Campeões serve de comprovativo bastante. Resta saber o que a Liga reserva a quem entregou pontos por estranha soberba e manifesta displicência. Sem margem de erro e na emboscada dos erros de outros, a força da contingência de quem já não depende de si.

