Rui Vitória deve perguntar-se: por que razão o Sporting mais categórico da época foi visto frente ao Benfica?
Mazelas dos jogadores à parte, os números são o pior inimigo de Rui Vitória no processo de preparação e lançamento da equipa do Benfica para o dérbi de Taça, sábado, em casa do Sporting. Após duas derrotas com este opositor em diferentes provas na corrente época, o treinador dos encarnados é, por estes dias, mesmo que em sentido figurado, um homem encostado à parede, na medida em que arrisca ser o primeiro técnico português da história do clube a perder três vezes com o eterno rival na mesma temporada, como se narra e demonstra nesta edição. Sovado pelo "score", Vitória saiu desacreditado do último confronto tático com o vizinho. Ele, melhor do que ninguém, sabe que tem uma legião de adeptos a olhá-lo de lado, com desconfiança e apreensão, temendo o pior no reencontro com os leões, embora o bom senso e a autoestima o proíbam de fazer tal confissão perante os microfones e as câmaras de televisão. Pode não ser suficiente, mas, para tentar derrubar o "muro" leonino com determinação e imaginar a reabilitação num banho de sucesso em Alvalade, Vitória deve, em primeiro instância, colocar uma pergunta a si próprio: por que razão as exibições mais categóricas e contundentes do Sporting aconteceram justamente nos duelos com o Benfica? Fazendo esta reflexão, a resposta será imediata: não foi capaz de diferenciar a equipa no estilo de jogo, na arrumação em campo e na estratégia. Assim, mais a jeito ficou para ser golpeado por Jorge Jesus, que conhece as manhas dos seus ex-jogadores e moldou o seu "exército" de forma a neutralizar a expressão das virtudes dos soldados contrários, forçando-os a destapar os defeitos de fabrico.
