Champions, Supertaça e Taça da Liga: três objetivos do Benfica no balde do lixo
DESCALÇO NA CATEDRAL - A opinião de Jacinto Lucas Pires, aos domingos n'O JOGO.
E lá foi mais um título, a voar... A "especulação" à volta do mau futebol da equipa às ordens de Jorge Jesus é confirmada, afinal, em derrotas tão tristes quanto factuais. Sim, é verdade. Três objetivos do Benfica nesta época - a Liga dos Campeões, a Supertaça e a Taça da Liga - já voaram para o balde do lixo das esperanças falhadas.
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Quarta-feira, com o Braga, a equipa não conseguiu confirmar os sinais de recuperação que vinham do jogo com o Estrela e com o FC Porto e foi derrotada sem apelo nem agravo. Ainda tivemos aquela quase-paradinha do Pizzi a alegrar-nos, mais uns quase-golos aqui e ali. Mas, convenhamos, foi pouco. Não vamos lá só com penáltis. É verdade que o surto de covid no plantel e na equipa técnica poderá ter desestabilizado os futebóis benfiquistas. Mas também é verdade que, sem uma ideia de jogo assente, interiorizada, sofre-se mais quando faltam certos jogadores. Pior do que isso, continua a faltar liderança.
Não sei se viram, caros amigos: quando o árbitro apita o final do jogo, no momento em que a derrota do Benfica se consuma, o que é que faz Jorge Jesus? Dirige-se a João Ferreira e dá-lhe um sermão em público, fazendo do miúdo o bode expiatório do fracasso coletivo. Como é que é possível? Não é assim que se comanda uma equipa, caramba. Líder é aquele que, primeiro, assume as responsabilidades e dá o peito às balas. Depois, internamente, pode dar as descascas que achar convenientes. Mas tentar passar as culpas assim em público não é apenas feio e antipedagógico - é sinal de grande desorientação.
Tentar passar as culpas em público é sinal de grande desorientação
Ganhou-se alguma coisa? Bem, ganhou-se um adjunto: um grande benfiquista que dá pelo nome de Andreas Samaris. Além disso, foi testado um esboço de 3-4-3 que pode vir a dar a jeito noutras ocasiões. É uma forma de libertar os alas (e o Benfica tem jogadores muito rápidos pelos corredores), alargando o ataque. Também houve exibições inspiradoras. O homem-bala Rafa Silva mostrou estar em forma, juntando velocidade e discernimento. E o xadrezista Julian Weigl, olhando o tabuleiro desde trás, melhorou muito a segurança da equipa. São dois exemplos que nos podem ajudar a pensar o geral. (É que, entretanto, há o campeonato, e o Benfica joga com o Nacional logo a seguir às Presidenciais.) Diria que falta encontrar uma maneira de pôr a equipa a posicionar-se como o alemão - é o que define o futebol de hoje: saber jogar sem bola - e a desposicionar-se como o português - é o que define o futebol de sempre: alegrar a redondinha até à baliza adversária. Se falo de "ganhar alguma coisa", não é por me iludir com algum tipo de "vitória moral", não se assustem. É só a ver se, depois de termos deixado fugir mais um objetivo, não caímos em depressão.
