A intervenção do superintendente Luís Filipe Simões na AR merece ser ouvida com atenção por quem decide
1 - Quando o tema é "Violência no Desporto" talvez o melhor seja dar ouvidos a quem sabe do assunto. Nem de propósito, o barulho feito pelos intervenientes do costume, na conferência que ontem decorreu na AR sobre o assunto, abafou as notícias, oferecidas numa bandeja pelo superintendente da PSP, Luís Filipe Simões. E as notícias são assustadoras: em 2960 incidentes com adeptos ocorridos em 2016/17, 2763 aconteceram em jogos de futebol masculino. Paralelamente, 97,6 % de todos os incidentes envolveram adeptos de sete clubes: Benfica, Sporting, FC Porto, Braga, Vitória de Guimarães, Boavista e Belenenses, mas não de forma equitativa. Explicou o superintendente, que em 2015/16 houve mais de 700 incidentes com adeptos do Benfica, mais de 600 com adeptos do Sporting e mais de 200 com adeptos do FC Porto. No ano seguinte, a coisa complicou-se: cerca de 900 incidentes com adeptos das águias, quase 700 com adeptos dos leões e acima de 400 com adeptos dos dragões. São números esclarecedores, que demonstram para lá de qualquer dúvida (como as que subsistem no IPDJ) que se os adeptos são todos iguais, alguns são mesmo mais organizados do que os outros. O superintendente sugere que apliquem mais vezes as medidas de porta fechada e interdição e propõe a criação da inibição de transmissão televisiva para punir os excessos dos adeptos. Mas, lá está, isso implicava dar ouvidos a quem sabe mesmo do assunto.
2 - A rendição incondicional dos adeptos da Juventus a Ronaldo, aplaudindo de pé o avançado português do Real Madrid depois de terem tido o privilégio de assistir a uma das obras de arte mais impressionantes que alguma vez desenhou, diz tudo. A matéria de que são feitas as lendas.
