DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz.
Não há como fugir ao enunciado já assumido por Amorim: se o Sporting não quer desistir da ideia de ser campeão nacional tem de ganhar todos os jogos até ao fim desta Liga. E ontem fê-lo, mas parece só ter acordado na segunda parte, o que deixa a desejar.
O lance do golo do Guimarães é um brinde de Coates, inadmissível no momento que a equipa vive. O central permite que Estupiñán rode quando lhe bastava dar um pontapé na bola e afastá-la dali. Posso parecer inclemente, mas a exigência, nesta fase, tem de ser total.
Sair a jogar, sim senhor, quando é possível; em ataques perigosos do adversário não podemos dar a mínima abébia, até porque já se percebeu que basta um lance para sofrermos um golo. E em posse temos de ser mais incisivos, mais agressivos, mais intensos, temos de encostar às cordas a equipa que jogue contra nós, coisa que não aconteceu ontem nem tem acontecido na maior parte das partidas. O Sporting perdeu pontos que comprometem em muito o desejo de renovar o título porque não soube cavalgar a onda criada na época passada e meter medo a quem o defronta, como faz o Porto mesmo não tendo ganho nada. Pelo contrário, demonstra medo de se assumir como equipa mandona, pressionante, destinada a converter-se num rolo compressor. E depois há coisas que eu não compreendo. Por que raio insiste o treinador em dar o lado esquerdo a Nuno Santos? O que se passa com Matheus Nunes desde que Guardiola o elogiou? Como se explica que Pedro Porro, um atleta de fibra, ande de lesão em lesão, qual homem de cristal? O que falta a Edwards para merecer a titularidade? São questões à espera de uma resposta como a que Pote pareceu querer dar ontem. Entrou, fez uma assistência, ligou jogo, ajudou a defender. Oxalá assim continue, que bem precisamos dele em forma. Os jogadores têm de enfiar uma ideia no cérebro: ou dão tudo e mais alguma coisa daqui até ao fim ou podem dizer adeus ao campeonato. São bons? São. Sãocapazes? São. Mas isso não lhes vale de nada se não o demonstrarem. Está na hora de cerrarmos os dentes e cairmos em cima de quem vier pela frente.

