DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz
Grande jogo do Sporting contra um Belenenses verdadeiramente sad, sem armas para sequer fazer cócegas a um leão impetuoso e personalizado, com um futebol límpido e fluído que só emperrou no momento do remate, em boa parte devido à fase depressiva que Paulinho parece atravessar, visível até pela sua pose de avestruz.
Precisa de endireitar os ombros e tirar os olhos do chão, o protégé de Amorim, sob pena de perder o lugar para Tiago Tomás, numa altura em que também este se mostra menos confiante e assertivo quando entra, provavelmente fruto da pouca utilização. Convinha talvez aos responsáveis do Sporting ponderar a compra de um terceiro ponta-de-lança, até porque os há bons e baratos em Portugal - basta olhar para Ndour, um remake do saudoso Yekini, que prega sozinho no deserto de Belém.
Foi uma partida de sentido único, com uma defesa intransponível, onde um Neto bem mais calmo do que na época passada substituiu Feddal, um meio-campo como há muitos anos não se via em Alvalade e uma ala esquerda renovada a querer dar enxaquecas ao treinador. Vinagre é tão bom que se eu fosse a Rúben Amorim equacionava utilizá-lo nalguns jogos com Nuno Mendes, um à frente e outro atrás, até porque nem Nuno Santos - que ontem entrou a todo o gás - nem Jovane são garantia de constância exibicional. Do outro lado, Esgaio continua a provar que se um novo problema atormentar Porro não há motivo para alarmes. De um alarme precisa é Pote, que embora tenha ajudado a equilibrar a equipa quando ela perdia a bola esteve sempre folgado e negligente no momento de ser objetivo, razão pela qual ficou em branco.
Cheguei a ter pena de Adán, vá lá que estava uma noite agradável em Lisboa. À frente dele cresce um central que, se não me engano, vai ser um dos melhores da Europa. Inácio tem tudo: rapidez, firmeza, rigor táctico, técnica, visão de jogo, precisão de passe e, como ontem se reviu, golo. Coates está um monstro. A maior transformação de que me lembro num jogador do Sporting. Entre os principais destaques da equipa não há como fugir a Matheus Nunes e Palhinha, uma sociedade perfeita, ao nível do melhor que terão hoje os multimilionários tubarões do velho continente. Não é exagero, veja-se o que jogam e compare-se com as duplas mais famosas. Qualquer negócio que se pretenda fazer com eles, só pela maldita cláusula.
E assim vamos consolidando processos, abrindo sorrisos, prometendo feitos dentro e fora de portas. Com um ataque mais afinado, creio que temos equipa para dar luta e impor respeito na Champions, apesar da falta de experiência de muitos jogadores. Rúben Amorim merece rasgados elogios pela forma como tem gerido o crescimento dos jovens e rodado a equipa - excepção feita a Paulinho - para que todos se sintam a crepitar. Convém é não perder de vista que, como dizia Fernando Gomes, o golo é o orgasmo do futebol. Ontem, tirando os lances de bola parada que acabaram no fundo das redes da B SAD, aquilo parecia sexo tântrico.
