A análise de Manuel Queiroz.
O Benfica fez 48 pontos na primeira volta e 20 nos 14 jogos da segunda - é um número abaixo do que fez o Santa Clara ou Moreirense, é só mais um do que o Boavista e dois a mais em relação ao Paços de Ferreira. E apenas cinco vitórias.
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Um desastre como o Benfica nunca terá tido em toda a sua história, ou pelo menos com Luís Filipe Vieira na presidência. Uma espiral negativa que parece ter posto o presidente a abrir os cordões à bolsa, falta saber se é com os jogadores de que precisa.
O FC Porto não vai ganhar o prémio da crítica, não é belo o seu jogo - Sérgio Conceição chamou-lhe a equipa mais compacta. Nunca teve nota artística, mas tem conseguido uma notável regularidade nestes anos, incluindo as quatro finais para que se qualificou, com uma alta percentagem de vitórias. Nesse aspeto é extraordinário. Em Tondela foi preciso acabar com o credo na boca mas o futebol ensina que nestas alturas todos os santos ajudam (pelo menos se não os desafiarem muito). Revejo aquela jogada em que o croata Strkalj, aos 87", chuta na direita da área, a bola passa pelo meio das pernas de Marchesín, acaba por bater no calcanhar direito e sair a rasar o poste - a sorte também joga. Seria o 2-2 e com o FC Porto em dificuldade. Mas ganhou, sobretudo graças ao duo Corona-Marega. E ao primeiro golo da época de Danilo.
Só 20 pontos na segunda volta, mais um do que o Boavista...
O título está próximo para os dragões, ou seja, o Benfica está mais longe e em Famalicão foi o retrato do ano: bom começo, mau fim. O Famalicão jogou pouco até às entradas de Ivo Pinto e Anderson, ou seja, durante uma hora o (ainda) campeão foi bastante melhor. Na última meia hora não e quando saiu Cervi ficou pior. Como na Madeira. O argentino justifica completamente a titularidade, bem ao contrário de Seferovic. Fisicamente, o Benfica ainda não chegou a patamares razoáveis. Este Benfica é muita espuma, a liderança que devia vir de gente como Pizzi não se nota.
Se o título está encaminhado, o terceiro lugar ainda não - o Braga ressurgiu com duas goleadas, que lhe dão mais dez golos marcados do que o Sporting, que vai ganhando em mínimos. Paulinho, hoje um dos melhores avançados do campeonato, fez um hat trick e colou-se aos melhores marcadores Pizzi e Vinícius, todos com 17 golos - há que tempos um português não estava a ponto de ser o melhor marcador e sobretudo um jogador do Arsenal do Minho. O Sporting vai deixando boas sensações e depois de amanhã tem um teste superior, no Dragão. Rúben Amorim quer que os seus jogadores enfrentem a dor de serem os cabeçudos se o FC Porto for campeão nesse jogo, uma ideia competitiva de um treinador que precisa que os seus miúdos cresçam rapidamente. O próximo campeonato já começa daqui a menos de dois meses.
