DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
E assim acabou a vindima, antes do lavar dos cestos. Sobrou uma decisão, que creio também já encaminhada: a da entrada direta na Champions. Menos do que isso e zangava-me a sério.
De qualquer forma, e projetando-me de imediato para um breve balanço da época, a ver se despacho duma vez as tristezas, não posso deixar de me confessar desapontado, e não, não se precipitem a vislumbrar aqui qualquer ingratidão, eu sei bem onde estávamos antes da chegada de Amorim e as alegrias que ele nos deu até virmos ter a quase nada, depois de quase tudo.
Dito assim parece um juízo hiperbólico, mas refiro-me apenas a títulos, ao que fica para a História, porque se mergulharmos a mão um pouco mais fundo vamos necessariamente apanhar uns peixes jeitosos, quanto mais não seja dois ou três jovens que foram aposta e ajudam a manter acesa a chama da ilusão para a próxima temporada.
Isto, claro, se não lhes acontecer o mesmo que a outros dois ou três "rebentos" de 2020/21: a estagnação. Ou pior, como no caso de Pote: a involução.
Qualquer adepto, vendo a casa arrumada e a equipa a alcandorar-se a um feito que, à luz da lógica, estava para lá de para lá, terá sonhado com mais e melhor, mais títulos e melhor futebol, mas o que se viu foi o contrário. E até a sorte, essa filha duma estrela tomada de amores pelo nosso treinador, parece ter trocado de clube no final da época.
Houve asneiras que se adivinhavam, como a de não contratar um matador para compensar o pé frio de Paulinho, farol único, e de luz trémula, na frente de ataque. A saída de Nuno Mendes, embora difícil de evitar, também não ajudou. Veio Sarabia, que demorou a arrancar para uma campanha meritória, veio Ugarte, um craque, e vieram Vinagre e Virgínia, dois flops. Depois foi-se buscar Edwards, cujo potencial está ainda por explorar, e Slimani, hoje mais problema que solução.
Resta saber o que, agora, depois deste passo atrás, se vai fazer para dar dois à frente. Eu não sou treinador, mas opino: acho que precisamos de um central forte e rápido pelo lado direito, um ala-esquerdo, um ponta-de-lança e um extremo. Mas gente de fibra, que não trema, como Porro.
Porque a razão maior de não termos consolidado este ano o respeito e o estatuto adquiridos no anterior não é técnica nem física, nem mesmo tática, apesar de aí haver críticas a fazer - é mental.

