VISTO DE ITÁLIA - Um artigo de opinião de Cláudia Garcia.
Que jogo intenso e espetacular assistimos esta semana entre a Atalanta e o Real Madrid, em Bérgamo. As duas equipas disputam um lugar nos quartos de final da Liga dos Campeões e, apesar da derrota dos italianos por 0-1, não caiam no erro de dar a Atalanta do velho Gasp por morta. Nem pensem nisso.
A equipa de Gasperini perdeu um dos cérebros do meio campo (Freuler) logo aos 17 minutos de jogo, numa expulsão injusta e exagerada, e logo a seguir também perdeu Zapata por lesão, mas, ainda assim, deu luta ao Real Madrid de Zidane até ao fim.
Por incrível que pareça, as duas equipas correram exatamente o mesmo: 110 quilómetros no total cada uma. O que significa que, com 10 jogadores, a Atalanta correu o mesmo que o Real Madrid com 11. Os espanhóis bateram os italianos na posse de bola 70% a 30% e em ocasiões criadas, porque a equipa de Gasp foi obrigada a recuar no terreno, mas manteve-se sempre lúcida, compacta e nunca perdeu a identidade de jogo, mesmo perante o "tiki-taka" do Real Madrid. A Atalanta continuou a marcar homem a homem, a lutar por cada bola com aquela garra e intensidade típicas das equipas do Gasp e a atacar os espaços sempre que o Real dava uma brecha. O jogo esteve equilibrado até ao golo de Mendy, aos 86". Nem Zidane queria acreditar no remate do francês com o pé direito.
O Real Madrid pode passar, porque tem muito mais qualidade de passe e tem jogadores com muito mais técnica, mas a Atalanta, com o seu espírito de sacrifício, é uma equipa apaixonante. O grupo de Gasp não faz "tiki-taka", mas também sabe trocar bem a bola, não faz catenaccio, mas defende de forma impecável. A Atalanta joga um futebol intenso e moderno, porque no futebol atual a parte física voltou a ter um papel preponderante. Quando Jesus diz que o futuro será o 5x4x1, talvez a Atalanta já esteja nesse futuro e em Valdebebas não vai ser um passeio para Modric e companhia.
