À hora que começo a teclar esta nota (16h33 de 29 de novembro de 2018), a permanência de Rui Vitória é dada como certa. Umas horas antes, aí pela fresquinha, a maior parte dos órgãos de comunicação social dava a sua saída como certa. Sendo que essa maioria - O JOGO incluído - sustenta-se em fontes credíveis. As mesmas que, horas mais tarde, avisaram para a possibilidade do dito pelo não-dito. Tal, convenhamos, não implica inverdades espaçadas no tempo. Tal implica, com certeza, a gestão de uma série de equações que podem implicar milhões de euros.
O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, explicará, em conferência de Imprensa marcada para as 20h00, qual a sua decisão. Sendo que, repito, a informação que circula nas redações, tida como credível, é a de que Rui Vitória prosseguirá como treinador do Benfica.
Convenhamos, mesmo ser-se goleado por 5-1 no terreno do Bayern de Munique não é argumento suficiente para um despedimento com ou sem justa causa. Não só não o seria legalmente, como não é argumento desportivo para tal. Julen Lopetegui, com tudo o que o seu nome implica, não o foi quando "levou" 6-1 no mesmo palco, a 21 de abril de 2015. Só saiu dos dragões a meio da época seguinte. Sendo que, entre Benfica e FC Porto, estamos a falar de emblemas de grandeza desportiva idêntica no panorama nacional. E já houve "tubarões" de outras paragens que foram ali "cilindrados".
"É bem provável que o presidente do Benfica tenha sido obrigado a fazer contas de cabeça e de tesouraria relativamente à decisão de dispensar os serviços de Rui Vitória."
Que é como quem diz, não é necessariamente humilhante levar tal "chapa" dos bávaros, o que destrona qualquer argumento competitivo nesse sentido, por muito populista que tal decisão fosse assumida logo a seguir à partida em Munique, pois apenas serviria para agradar às massas que assim fazem juízos de valor aos microfones das televisões que oferecem horas do tempo de antena à "vox populi".
É verdade que o Benfica está aquém das expectativas. Das de quem o quer na frente - qual o adepto que não quer a sua equipa sempre na frente? -, mas, sobretudo, da vontade de ver um futebol consistente, coisa que não tem acontecido. E, quando assim é, os treinadores já sabem em quem estala o chicote.
Este é, porém, o dilema de um qualquer presidente de uma sociedade desportiva hoje em dia, sobretudo quando tem elevados objetivos traçados e vê os acontecimentos a ganhar-lhes distância: quando e como pode despedir, ou então dar um sinal de confiança para a continuidade do treinador.
Internacionalmente, à data de hoje, o Benfica foi despromovido para a Liga Europa. E no campeonato nacional, com quase um terço da prova disputado, está a quatro pontos do líder, com menos um que o Braga - este ano indiscretamente intrometido entre os grandes - e menos dois que o Sporting (animicamente recuperado das incidências pós-Bruno de Carvalho), assim como tem o Rio Ave a "ferrar-lhe os calcanhares" (dois pontos atrás).
Permitindo-me a alguma especulação, assente no "diz que diz" com a sustentação das muitas fontes credíveis, que em uníssono disseram "vai sair" e, mais tarde, vai ficar", é bem provável que o presidente do Benfica tenha sido obrigado a fazer contas de cabeça e de tesouraria relativamente à decisão de dispensar os serviços de Rui Vitória.
Desde logo, e porque terá havido uma sessão matinal de negociações com o empresário do treinador, sobre os custos (indemnização) da sua saída.
Extrapolando, caso não houvesse nenhum tipo de acordo, essa saída poderia ter um custo superior a três milhões de euros. Insistindo na extrapolação (e isto até é mais especulação, mas com base nas fontes que apontam a um regresso à Luz), a contratação de Jorge Jesus aos sauditas do Al Hilal, poderia custar cerca de dois milhões. Isto tudo a somar á verba anterior, na pior das hipóteses.
E, por fim, uma última extrapolação não despicienda, em função da entrada de novo treinador a um mês da abertura da janela de mercado de inverno: quanto custariam os reforços para agradar ao novo técnico, fosse ele Jesus ou outro qualquer, e para as necessidades evidentes da equipa? São muitos milhões em previsão orçamental se a decisão final for a de dispensar Rui Vitória.
Isto, claro, sem extrapolar que outros treinadores - e por quanto - estariam disponíveis para abraçar o Benfica a meio da época, com tudo o que isso implica. Ser grande tem, também, estes custos: o risco é maior para quem é contratado com a temível missão de resgatar a época.
