A opinião de Manuel Queiroz
Tendência alemã ou francesa
Alguns jornais europeus admitiam ontem que o facto de o governo francês ter proibido todos os desportos coletivos até setembro podia fixar uma tendência.
Mas a priori o exemplo para que se olha mais é o da Alemanha, que continua a fazer tudo para regressar ao futebol de competição no próximo mês. Hoje haverá uma reunião importante da primeira-ministra Angela Merkel com os ministros dos Estados alemães e deve sair uma decisão porque a Federação e a Liga têm dito que é mesmo o governo que decide. Ou seja, hoje é Dia D em Portugal, na Grécia e, provavelmente, na Alemanha. Pelo menos.
As dúvidas de Fauci
Já todos conhecem o dr. Anthony Fauci, especialista em infeções da "task force" do Presidente Trump para a crise do covid 19. Em entrevista ao "New York Times" deixou claro que esta época desportiva é para esquecer.
"Gostaria muito de ter todos os desportos de volta, mas como dirigente da Saúde, como médico e cientista tenho que dizer, neste momento, quando olho para o país, que não estamos prontos para isso". Fauci, neto de italianos, diz que o importante é a segurança. "Se não se consegue garantir a segurança tem que se fazer o sacrifício". Cancelar a época dos desportos profissionais americanos é o que vai acontecer.
A união espanhola
Se há alguma coisa difícil de acontecer é que os principais diários desportivos espanhóis (dois de Madrid e dois em Barcelona) estejam alguma vez, algum dia, todos de acordo. Pois aconteceu ontem, por causa de Michael Robinson, o antigo campeão europeu pelo Liverpool em 1984 e que se radicou em Espanha depois de acabar a carreira no Osasuna.
O seu sotaque, a sua alegria mas também a sua seriedade fizeram dele um grande apresentador e comentador de rádio e televisão, apreciado por todos. Até porque era alguém simpático e sabedor. Adeus Michael, também daqui.
Elisa e o mercado interno
A comissária europeia da Coesão, a portuguesa e portuense Elisa Ferreira, deu um entrevista ao "El País" em que defende subsídios sem condicionalismos (ao contrário do que se fez na crise de 2008) para os países da UE. "Falta uma abordagem objetiva que diga aos cidadãos desses países [contra os subsídios] que o mercado interno não os prejudica, pelo contrário. (...) Não se pode esquecer que dos 1,8 mil milhões de ajudas de Estado aprovadas pela Comissão Europeia metade são da Alemanha, que deu 2,4 mil milhões à Adidas e à TUI 1500 milhões".
