Se Guedes está "dois anos à frente", Rúben Neves já estará uns quatro. Lopetegui quis, Jesus nem por isso
Nem é preciso acender os máximos na "avenida das tiradas": quem segue o personagem com os médios ligados concordará que, seja qual for o contexto em que vinque uma opinião ou um ponto de vista, Jorge Jesus, graças ao estilo desprendido que, no bem e no mal, sempre o caracterizou, consegue ficar no ouvido. Das muitas ideias que tem podido espalhar em palcos cujo mediatismo se alargou na última dezena de anos, convoco para este espaço uma que ousou partilhar na temporada passada: "O miúdo está dois anos à frente da sua idade." Falava de Gonçalo Guedes, então com 17 anos, a quem o treinador reconhecia uma maturidade acima do padrão etário. Nem por isso, todavia, lhe deu balanço ou, em alternativa, as oportunidades mínimas que o jovem já ia justificando. Jesus não quis. Mas essa reflexão não é agora para aqui chamada. Pego em Guedes para chegar a Rúben Neves, outro que, na época passada, também com 17 anos, já começava a reservar um espaço que hoje é cada vez mais seu no meio-campo do FC Porto. Lopetegui quis e continua a querer. Se Guedes está "dois anos à frente", Rúben já estará uns quatro, porque o técnico espanhol não teve medo de confiar na qualidade; ou porque foi arrogante na porção certa. Ambos em "testes" na Seleção A por méritos também exteriorizados nessa antecâmara chamada sub-21, Rúben e Guedes têm às costas a responsabilidade de comprovar que o talento não se mede pelo BI e, muito para além disso, que a formação de valores acima da média não está tão mortiça quanto se vai pintando.
