DRAGÃO DO SUL - A opinião de Paulo Baldaia, aos domingos n'O JOGO.
Estou um bocadinho (é favor!) farto do politicamente correto, quando falamos de futebol e das arbitragens. Há inúmera documentação (emails) e profícuas provas (vídeos dos jogos) a mostrar que há um clube interessado na aldrabice e um clero (formado por alguns dirigentes associativos, árbitros, VAR, delegados e...comentadores especializados) interessado em fechar os olhos.
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Olhando para o que está à vista de todos, notamos que uns atuam por amor ao clube do regime e outros por ódio ao FCP. Todos viram um penálti não assinalado no jogo com o V. Guimarães, outros viram dois, mas depois acham que temos de ver e calar. Como o Futebol Clube do Porto já tem muitos, até ao fim do campeonato, as equipas adversárias podem cometer as faltas que quiserem dentro da área, porque não será penálti e o FCP não se pode queixar. Não sei o que ensinam lá nas reuniões da cartilha, mas isto não é incompetência, é mesmo desonestidade.
Com um campeonato a terminar, um título por atribuir e dezenas de milhões de euros no acesso direto à Champions também por decidir, seria de esperar que as entidades competentes fossem isso mesmo, competentes a nomear os árbitros para estas jornadas finais. Mas quando escolhem o Hugo Miguel para arbitrar o Moreirense-FCP há um histórico recente que faz pensar que pode haver intencionalidade nesta decisão. Este foi o VAR que chamou o árbitro para expulsar Díaz por ter chutado à baliza no jogo com o Braga para a Taça e também foi o VAR que chamou o árbitro para expulsar Taremi no jogo com o Benfica, mas que nada disse na entrada por trás de Nuno Tavares aos calcanhares de Corona e nada disse na última quinta-feira quando Gabriel, aos seis minutos, sem possibilidade de jogar a bola, atingiu com os pítons o joelho de um adversário.
Competência ou falta dela é errar e acertar sem ficar mal na estatística, é errar e acertar sem olhar às cores das camisolas e eu, ao contrário do árbitro Hugo Miguel, não gosto nada de ver alguém provar veneno, nem do próprio, nem do alheio. O que gosto mesmo é de verdade desportiva, poucos erros dos jogadores e poucos erros dos árbitros, sabendo que uns e outros podem errar. Por isso, para amanhã em Moreira de Cónegos, espero que os jogadores do Futebol Clube do Porto errem pouco e o árbitro não tome decisões que alterem a verdade desportiva.
É difícil, mas calados é que não podemos ficar
Eu que ando aqui por Lisboa a fazer a minha vida, criando uma filha do Futebol Clube do Porto e outra do Sporting, casado com uma benfiquista, conhecido por ser adepto religioso e que os amigos são maioritariamente dos dois clubes da segunda circular, sou o testemunho vivo de uma crescente má disposição em relação ao clube e às gentes do Porto, em particular, e do Norte, de uma forma geral, porque a geografia de muitos deles não lhes permite sequer saber com certeza onde fica Valpaços, Moledo, Amarante ou Vidago e acham, portanto, que o Porto vai até à fronteira com Espanha, a Norte e a Leste. É um erro que calha bem, porque antes mesmo de sermos adeptos, na nossa natureza somos gente do Norte.
É claro que o facto de o FC Porto manter o terceiro lugar à distância e se aproximar do primeiro deixa os adeptos desses dois clubes mais nervosos, mas a intolerância em relação aos adeptos azuis e brancos vem também de quem não liga muito ao futebol
É claro que o facto de o FC Porto manter o terceiro lugar à distância e se aproximar do primeiro deixa os adeptos desses dois clubes mais nervosos, mas a intolerância em relação aos adeptos azuis e brancos vem também de quem não liga muito ao futebol. Isso acontece porque há uma narrativa a ser alimentada pelos que nos querem pintar como bárbaros, gente perigosa e mal educada. É isso que os leva a mostrar imagens de todas as claques, incluindo a do FCP, quando é para falar de crimes cometidos pelos No Name ou pela Juve Leo, ou a repescar alguma coisa que o Sérgio Conceição fez, quando a notícia é o mau comportamento de Rúben Amorim ou Jorge Jesus. É nestas alturas que temos de recordar José Maria Pedroto: "Enquanto fomos bons rapazes, fomos sempre comidos."
