Números à parte, se a tareia surpreendeu os dirigentes, o Barcelona vaipassar um mau bocado
A tareia monumental aplicada pelo Bayern Munique ao Barcelona causou um terramoto na Catalunha. Os números exigiam-no, num misto de vergonha e impotência, sendo importante para o clube entender ter sido a segunda a causar a primeira.
As emoções não permitirão, pelo menos para já, admitir ter sido a diferença no futebol mais importante do que os números. A humilhação perturba.
O Barcelona foi sempre incapaz de discutir a partida da Luz. Mesmo quando, a seguir ao empate oferecido, esbarrou a bola no poste direito da baliza de Neuer, percebeu-se o quanto havia sido acidental. O vencedor estava decidido mal o apito inicial colocou as equipas em movimento e a asfixia começou a ser posta em prática. O domínio alemão foi absoluto, faltava apenas apurar os números. Foram terríveis? Sem dúvida. Acertados? Tanto faz, podiam ser sete ou nove, espelhariam sempre a diferença entre as equipas no relvado. De um lado um portento de futebol, querer, organização e talento; do outro uma equipa quebrada, equivocada e fora de prazo, tanto nas ideias como em algumas das peças.
As emoções não permitirão, pelo menos para já, admitir ter sido a diferença no futebol mais importante do que os números. A humilhação perturba. À chegada da equipa a Camp Nou, os adeptos exigiam aos jogadores: "Deem a cara, filhos da puta, meteram-nos oito como se fôssemos o Espanhol". Até no sofrimento sobressai a soberba. Será desejável para bem do colosso catalão, os dirigentes terem mais discernimento. Se já tinham percebido o estado das coisas e tentaram apenas dilatar a validade de uma equipa acabada, então estarão preparados para virar tudo do avesso. Se foram surpreendidos, o Barça vai passar um mau bocado, porque vão deixar-se perturbar pela brutalidade do açoite quando, para eles, o volume de golos deveria deixar de ser importante no final do jogo.
O Bayern queria fazer exatamente aquilo que fez.
Do lado do Bayern, além da capacidade coletiva, sobressaiu Thomas Muller. Não contava quando o treinador era Nico Kovac - ou seja, não participou nos 7-2 ao Tottenham em Londres esta época -, foi reabilitado por Flick e voltou a ser a bandeira de uma forma de pensar: ganhar sempre e mais e mais. No final, perguntaram-lhe qual tinha sido melhor jogo, os 7-1 ao Brasil com a seleção alemã ou este 8-2 do Bayern ao Barça. Respondeu sem hesitar ter sido o 8-2, pelo controlo exercido.
Tem razão. A estratégia resultou, a equipa queria fazer exatamente aquilo que fez. Ao contrário do que sucedera com o Brasil - a Alemanha permitiu uma reação forte durante os primeiros 20 minutos da segunda parte -, frente ao Barça o domínio foi total.
A quem possa ter estranhado ver Muller a gritar "Witer Witer" (para a frente) no início do jogo e continuar a fazê-lo (e a correr) depois do quinto golo, recordemos uma explicação dada pelo próprio há dois anos quando perguntado sobre os 7-1 ao Brasil depois de estar 5-0 ao intervalo. "Nós não tirámos o pé. Decidimos jogar com seriedade. Quando se está a ganhar 5-0, podemos pensar em enfeitar, como os brasileiros fazem, mas nós somos alemães. Não estamos acostumados a samba e praia. Decidimos jogar com seriedade para vencer." A entrevista foi dada ao canal brasileiro do You Tube "Desimpedidos". Explica tudo!
