RUGIDOS DO LEÃO - A opinião de Samuel Almeida, aos domingos n'O JOGO.
1 - A arbitragem bateu no fundo. Quem ouve comentadores e lê peritos de arbitragem parece que esta se tornou uma ciência oculta e o espaço fértil para interpretações a todo o gosto, mas sobretudo livre arbítrio de quem anda de apito na boca. E o livre arbítrio permite, claro está, a total ausência de uniformidade de critérios, com amplos benefícios de uns, e prejuízo de outros.
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Tudo isto se amplificou com o VAR, quando é certo que esta ferramenta, ironia das ironias, se destinava a auxiliar as equipas de arbitragem e repor a verdade desportiva. Ao invés, ninguém entende mais nada de arbitragem e se calhar a ideia é essa mesma. Alguns árbitros vão ver as imagens, outros não, uns só vão com alguns clubes, outros apitam largo, outros apitam curto, uns julgam a intensidade de uma forma, outros apitam a seu belo prazer. O Conselho de Arbitragem tão afoito a comentar o lance de Coates anda caladinho que nem um rato, quando o desnorte é evidente e a nortada assola os campos de futebol em Portugal. Aliás, a falta de vergonha a norte do Mondego é tanta que ontem se fartaram de bradar aos céus pelo critério disciplinar de Luís Godinho - não ter expulso Pizzi é de bradar aos céus de facto. Imaginem só o que teria acontecido se tivessem tido uma arbitragem similar à de Vila Nova de Famalicão? Luís Godinho, aliás, que teve o prémio de apitar o clássico pelo belo desempenho na partida com o Sporting. Pode ser que com mais uma arbitragem a tirar-nos mais dois pontos, tenha como prémio apitar a final da taça de Portugal.
2 - Li os comentários ao segundo golo do Porto frente ao Nacional e fiquei estarrecido. Será que os senhores comentadores de arbitragem são tão maus quanto eram como apitadores? A Lei 12 das Leis de Jogo publicadas no site da FPF e da Liga Portugal, a propósito dos lances de mão na bola, é claro ao determinar que comete infração quem "depois de ter tocado na sua mão ou braço ou de um seu companheiro de equipa, ainda que de forma acidental, e imediatamente a seguir marcar um golo na baliza da equipa adversária ou criar uma oportunidade de golo". Taremi toca involuntariamente com a mão na bola, domina e isola um companheiro que marca golo. Não parece oferecer grandes dúvidas, pois não? Depois de uma expulsão caricata, o Porto lá se safou mais uma vez. Já são quatro jogos de claro benefício, um deles a evitar a eliminação na Taça. Por outro lado, vi o lance do segundo golo do Santa Clara frente ao Moreirense e fiquei à espera da clarificação do Conselho de Arbitragem, pois tratando-se de um toque na pequena área sobre o guarda redes tinha ideia que era falta. Ou será que apenas o Coates tem intensidade? O Duarte Gomes que não se preocupe com a credibilidade da arbitragem.
O Conselho de Arbitragem anda caladinho que nem um rato, quando o desnorte é evidente e a nortada assola os campos de futebol em Portugal
3 - Esta semana correu-nos mal. Um empate e uma derrota era algo que não esperávamos depois da vitória categórica frente ao Nacional. Certamente que existirão várias explicações, desde o desgaste, os castigos, à eficácia ou os indisponíveis em mais um surto de covid-19. Tudo verdade, mas parece-me acima de tudo que existirá algum desgaste mental da equipa e físico da dupla pivô Palhinha/João Mário. E Rúben Amorim tem intervindo tarde nas partidas. Foi assim na Madeira, foi assim em Alvalade esta sexta. Talvez o excesso de confiança venha do banco. Com Palhinha incapaz de manter o mesmo ritmo os 90 minutos e com João Mário em quebra de intensidade, a equipa tem-se exposto ao contragolpe e sofreu três golos em dois jogos. Nada de dramático face à liderança de quatro pontos. Nada que não seja compreensível numa equipa tão jovem e pouco habituada a estas andanças. Não é altura de baixar a cabeça, bem pelo contrário. É altura da equipa recuperar a alegria algo perdida, respirar fundo e cerrar os dentes. O que não vem do talento, terá de vir do suor e sofrimento. E é a altura de todos nos agruparmos em torno destes leões. Jogo a jogo, sem pressão extra, pois não somos nós que corremos atrás do prejuízo. Esta semana já passou, a próxima será melhor.
Nota final. Para mim é evidente que a Taça Lucílio Batista é uma competição menor e que não justifica o desgaste de dois embates de intensidade máxima. Espero um Sporting competitivo, mas espero que seja assumido internamente que a nossa prioridade é o jogo do Bessa. Algo distinto seria incompreensível face ao onze que alinhou frente ao Marítimo e seria um erro monumental face aos desafios que se adivinham.
