Factos e investigações são melhores do que insinuações. E, já agora, bem melhores do que os comunicados da administração do Benfica
Antes que o futebol comece a arrancar cabelos pelas revelações (mais confirmações do que revelações) de ontem à noite na SIC, talvez fosse boa ideia pormo-nos de acordo: é infinitamente mais saudável haver casos em investigação do que uma tranquilidade sonsa, suportada em burlas, vigarices e intrujões que ninguém denuncia. A reportagem de ontem à noite oferece dois testemunhos de um incidente real e bem verificado. Alguém ofereceu dinheiro a jogadores do Marítimo para perderem um jogo que tinha grandes probabilidades de decidir o campeão. A reportagem não condena ninguém, mas revela factos insuportáveis, como já sucedia com a operação Cashball. E são insuportáveis seja qual for a leitura que se faça deles. São insuportáveis se o Benfica for o réu e são ainda mais insuportáveis se, como alega, o Benfica for a vítima. O que não ajuda é que da Luz se reaja tantas vezes com um desrespeito quase fanfarrão pela inteligência das pessoas, a começar pela dos benfiquistas. Não, não foi porque a administração do Benfica pediu - lá do alto dos seus privilégios de cidadão especial de corrida - que a polícia decidiu investigar todos os jogos da equipa nas últimas cinco épocas. Como é evidente.
Nota: também insulta um nadinha que o Sporting, depois de negar a oferta de 400 mil euros ao Marítimo pela vitória nesse jogo com o Benfica, venha lembrar que, na altura, não havia qualquer ilegalidade no pagamento. Havia. No mínimo, seria fraude fiscal (e das bravas, porque 400 mil euros é muito dinheiro) e provaria a existência (ilegal) de um saco azul. A menos que, na contabilidade do Sporting, aparecesse uma saída de caixa com o rótulo "incentivo ao Marítimo".
